Notas Internacionais

por Ana Prestes

09 de setembro de 2019, 10h46

Chanceler francês diz que Brasil realiza “concurso de insultos” contra Brigitte Macron

Ana Prestes revela que, para Jean-Yves Le Drian, os comentários sobre a esposa de Emmanuel Macron são “inaceitáveis” e “indignos”

O chanceler francês Jean-Yves Le Drian - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

– O novo chanceler paraguaio, Antonio Rivas Palacios, está nesta segunda-feira (9), em Brasília. O anterior, Luis Alberto Castiglioni, caiu no Itaipu Gate. O Brasil é o principal parceiro comercial do Paraguai. Apesar de pouco comentado na imprensa, principalmente a brasileira, o caso da ata secreta de Itaipu que prejudicaria o povo paraguaio e poderia beneficiar empresários amigos da família Bolsonaro, segue sendo investigado no Paraguai. Está em funcionamento no Congresso paraguaio uma Comissão Bicameral de Investigação (CBI) e que na terça (10) voltará a ouvir o ex-diretor geral da ANDE (estatal elétrica paraguaia), Pedro Ferreira, e o ex-diretor técnico de Itaipu, José Sánchez. Pedro Ferreira foi quem denunciou o acordo. O trabalho da comissão pode ser finalizado esta semana e seu resultado enviado à PGR do Paraguai.

– O chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, disse neste domingo (8) a uma rádio francesa que o Brasil está realizando um “concurso de insultos” contra Brigitte Macron, primeira-dama do país. Segundo ele, “não se administram relações internacionais organizando, qualquer que seja o país, um concurso de insultos”. Os comentários sobre a esposa de Macron para ele são “inaceitáveis” e “indignos”. A filha de Brigitte, Tiphaine Auziere, propôs no final de semana uma campanha com o slogan: “Jogue fora sua misoginia”. O entrevero com o Brasil se deu no mesmo final de semana em que os Coletes Amarelos voltaram às ruas do país, especialmente em Montpellier e de modo tímido em Paris.

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– Na última sexta (6), após uma péssima semana para Boris Johnson, a Câmara dos Lordes, câmara alta do parlamento britânico, aprovou o projeto de lei anteriormente apreciado pela Câmara dos Comuns, câmara baixa, que proíbe o governo do Reino Unido de sair da UE sem um acordo, o hard Brexit. É esperado para esta segunda (9) o consentimento da rainha Elizabeth, que não tem poder de veto. Desta forma, o Brexit pode ser novamente adiado, agora para 31 de janeiro. Esta prorrogação, no entanto, precisa ser aprovada pelos 27 Estados-membros que ficam na UE. Os franceses, através do chanceler Jean-Yves Le Drian, já disseram que não querem adiamento. Johnson declarou nos últimos dias que preferia “estar morto numa vala” do que ter que pedir extensão do prazo à UE e deve tentar novamente esta semana o estabelecimento de novas eleições no país. Ele já perdeu nos últimos dias a ministra do trabalho de seu governo, Amber Rudd, da ala moderada dos conservadores, por discordar de como Johnson está lidando com o Brexit e da punição aos 21 conservadores que votaram por não permitir um hard Brexit.

– Um encontro secreto entre o governo dos EUA, o governo do Afeganistão e o grupo Taleban estava previsto para ocorrer no último final de semana. A reunião, no entanto, foi cancelada por Trump e o cancelamento duramente criticado por um porta-voz do Taleban, segundo o qual: “Isso levará os Estados Unidos a mais perdas (…) sua credibilidade será afetada, sua condição bélica será exposta ao mundo, perdas humanitárias vão crescer”. Trump alegou encerramento das conversas por conta de um ataque em Cabul que vitimou 12 pessoas, entre elas um soldado americano. A guerra dos EUA no Afeganistão já dura 18 anos, desde os ataques às torres gêmeas em Nova Iorque, de 11 de setembro de 2001. O Afeganistão tem eleições marcadas para o próximo 28 de setembro.

– Em anúncio realizado no sábado (7), o Irã disse que agora é capaz de aumentar em 20% o nível de enriquecimento de urânio. No acordo de 2015, rompido por Trump, o país havia se comprometido a enriquecer urânio até 3,67% (para produzir uma bomba é necessário enriquecer em 90%).

– Rússia e Ucrânia trocaram prisioneiros no último final de semana. Foram 70, 35 de cada lado. Segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, este foi um primeiro passo para o distensionamento da relação com a Rússia e, segundo ele, “devemos dar os demais passos para acabar com essa guerra horrível”. Putin também disse à imprensa que este foi “um grande passo em direção à normalização das relações bilaterais”.

– O jornal China Daily deste domingo (8) traz editorial alusivo à intervenção estrangeira nos protestos de Hong Kong, com intenções separatistas. Está no texto: “Hong Kong é uma parte inseparável da China, e esse é o limite que não deve ser desafiado, nem pelos manifestantes, nem pelas forças estrangeiras jogando seus jogos sujos (…) separatismo, em qualquer forma, será esmagado”. Está em discussão no senado americano um projeto de lei dos “Direitos Humanos e Democracia de Hong Kong”. A lei prevê certificação anual por parte dos EUA da autonomia de Hong Kong e sanções a autoridades chinesas que suprimirem as liberdades dos residentes de Hong Kong. Esse projeto foi muito aclamado pelos manifestantes nos protestos de domingo (8). O hino dos EUA também foi cantado, assim como a palavra de ordem “cinco demandas, nem uma a menos”. As cinco demandas são: retirada do PL de extradição (já atendida); criação de uma comissão independente para investigar as agressões policiais; retirada das acusações contra os detidos nos protestos; retirada da qualificação de “revolta” das manifestações e aplicação do sufrágio universal para a eleição do chefe do executivo local.

– Ivanka Trump, filha do presidente americano, esteve na América do Sul nos últimos dias. Seu tour terminou no Paraguai, onde anunciou – na última sexta (6) – um aporte de 500 milhões de dólares como contribuição dos EUA para o “empoderamento” de mulheres latino-americanas. Trata-se de um programa via Citibank lançado na Cúpula das Américas em 2017, para facilitar capital às mulheres “empreendedoras”. Ela também esteve na Colômbia e na Argentina, onde foi justamente à cidade da lutadora social Milagro Sala, encarcerada em San Salvador de Jujuy.

– A brasileira Barbara Paz venceu o prémio Bisato D’Oro, da crítica independente, no 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza. Também venceu o prêmio de melhor documentário sobre cinema na mostra Venice Classics. Tudo isso com o filme: “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou”. O filme é sobre os últimos dias do cineasta Hector Babenco, ex-marido de Bárbara, falecido em 2016. São de Babenco os filmes Pixote (1982) e Carandiru (2003).

– No Paraguai, em uma casa que pertenceu a Alfredo Stroessner – ditador por 35 anos no país – foram encontradas quatro ossadas abaixo do piso de um banheiro. Especialistas do Ministério da Justiça do país vão coletar o material ao longo desta semana. Nunca é demais lembrar que Marito Abdo, atual presidente do país, é filho de um dos secretários particulares de Stroessner.

– No Chile, ocorreu no domingo (8) uma marcha da Plaza los Héroes até o Cemitério Geral, em memória dos caídos no golpe de Estado de 1973, 46 anos depois. A caminhada terminou em confronto com a polícia.

– Piada recorrente nas salas de postulantes ao Instituto Rio Branco (preparatório para o Itamaraty) durante prova da primeira etapa do concurso realizada no final de semana: “Onde está o Eduardo?”.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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