Notas Internacionais

por Ana Prestes

06 de maio de 2019, 10h35

Confrontos na Faixa de Gaza entre israelenses e palestinos deixam 29 mortos

Ana Prestes: “Israel acusa o Hamas e a Jihad Islâmica de perpetrar ataques, em consonância com o Irã, como retaliação à disputa de territórios na Síria. Na manhã de domingo (5), Netanyahu ordenou ‘ataques massivos’”

– O errático Grupo de Lima se reuniu mais uma vez na última sexta-feira, 3 de maio, e novamente incluiu Cuba em seu comunicado. Respaldaram o intento de mais um golpe contra o governo venezuelano, do último dia 30 de abril; anunciaram que vão buscar o Grupo de Contato Internacional, composto por países latino-americanos e europeus para acordar sobre os próximos passos em relação à Venezuela;  convocaram uma conferência internacional para Lima em julho próximo; e, por fim, a frase que mais chama atenção no comunicado: “Decidem fazer as gestões necessárias para que Cuba participe na busca da solução da crise na Venezuela”.

– Guaidó segue tentando arregimentar oficiais das Forças Armadas da Venezuela e no sábado organizou a leitura de uma carta-conclamação à adesão dos militares em mais de 20 pontos de Caracas. Em um destes pontos, Chacao, os oficiais ouviram a leitura e um militar, ao receber a carta, acendeu um isqueiro e queimou o papel, mostrando em seguida à população que acompanhava o ato. Mais uma vez os protestos não foram massivos. Chamou atenção o retorno das “guarimbas” que são uma espécie de trincheiras montadas nas ruas com móveis velhos, materiais de construção, sacos de lixo e tudo mais que estiver à mão para cercar a localidade.

– Enquanto isso, Lavrov, o ministro das relações exteriores da Rússia, recebeu no domingo (5) em Moscou o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza. O encontro aconteceu após declarações de Trump, na sexta (2), de que teria falado com o presidente Putin pelo telefone por pelo menos uma hora e que o presidente russo teria afirmado que não quer se envolver nas questões da Venezuela. Após o encontro com Arreaza, Lavrov disse em sua declaração: “Fazemos um chamado ao governo dos EUA para que pare com suas ações irresponsáveis contra a lei internacional”. Lavrov e Pompeo se encontrarão hoje na Finlândia.

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– A Faixa de Gaza vive seus piores dias desde o massacre de 2014. Desde a madrugada de sábado (3) o confronto entre as forças do governo do território palestino, comandado pelo Hamas, e as forças militares israelenses já mataram quatro pessoas em Israel e 25 na Palestina, sendo duas mulheres grávidas e dois bebês. Egito, Catar e ONU tentam mediar e há informações de trégua nesta manhã de segunda (6). Israel acusa o Hamas e a Jihad Islâmica de perpetrar ataques, em consonância com o Irã, como retaliação à disputa de territórios na Síria. Na manhã de domingo (5), Netanyahu ordenou “ataques massivos” na Faixa de Gaza. Em um dos prédios atingidos em Gaza estava a sede da Anatólia, agência estatal de notícias da Turquia. O confronto acontece às vésperas da comemoração do aniversário de independência de Israel, 14 de maio de 1948.

– Bolsonaro, ao menos por enquanto, desistiu de ira a Nova Iorque receber seu prêmio de “pessoa do ano” da Câmara de Comércio Brasil – EUA. A desistência se deu após sua ida ter tido destaque na imprensa norte-americana e mundial, em especial pelas afirmações do prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, e do senador democrata, Brad Hoylman, além dos anúncios do Museu de História Natural de NY e do restaurante Cipriani Hall de que não abrigariam um evento com o presidente brasileiro, todos sinalizando não concordarem com os posicionamentos machistas, homofóbicos e de desrespeito ao meio ambiente de Bolsonaro.

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– Como sinal de sua impaciência com as negociações comerciais com a China, Trump anunciou ontem (5) a elevação de 10% para 25% das tarifas sobre vários produtos chineses a valerem a partir da próxima sexta-feira (10).

– O cenário na Argentina pós-Macri se mostra cada vez mais desolador. Ao final de 2019 a economia terá encolhido uns 3%, a inflação deve chegar a 50% e a pobreza estará em 32%. Tudo isso e ainda uma dívida de 60 bilhões com o FMI. (com informações de Sylvia Colombo em artigo na FSP).

– Nos EUA, ganhou destaque nos noticiários o fato de que a taxa de desemprego está em 3,6%, o índice mais baixo desde dezembro de 1969. Já são 103 meses seguidos de criação de emprego. No entanto, esses empregos, em sua grande maioria, não foram gerados na indústria. A industrialização apresenta desaceleração significativa. (com informações de Sandro Pozzi, no El País).

– O Reino Unido passou por eleições municipais na última sexta (3) e tanto conservadores como trabalhistas tiveram derrotas que muitos relacionam ao processo do Brexit. Conservadores perderam 1.305 vereadores e quase 40 governos locais. Os trabalhistas perderam 82 vereadores. O partido de extrema direita UKIP também sofreu grave derrota, tinha 176 vereadores, agora têm 31. Quem se beneficiou das derrotas foram os candidatos independentes e partidos anti-Brexit, como o Liberal-Democrata que saiu de 658 vereadores para 1.351 e mais de uma dezena de governos municipais. O Partido Verde também ganhou, saindo de 87 cadeiras para 273.

– Theresa May interpretou sua derrota nas urnas locais a seu modo. Segundo ela, “os cidadãos querem que executemos o Brexit”. Ontem, domingo (5), ela deixou um recado para o líder trabalhista J. Corbyn em um artigo do jornal Mail: “Ao líder da oposição, digo isto: vamos ouvir o que os eleitores disseram nas eleições locais e deixar as diferenças de lado por um momento. Vamos fazer um acordo”. Há outras interpretações para a derrota dos pró-Brexit nas urnas, a população pode ter se arrependido.

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– O Panamá realizou eleições presidenciais e parlamentares ontem, 5 de maio. Com mais de 90% das urnas apuradas, a vitória deve ser do empresário Laurentino Cortizo do PRD (Partido Revolucionário Democrático), 33%. Ele substituirá Carlos Varela. A disputa mais acirrada se deu entre dois candidatos que se qualificaram como oposicionistas. Cortizo e Rômulo Roux, do CD (Cambio Democratico) e ex-chanceler, com 31%. No Panamá não há segundo turno. Cortizo é veterano na política panamenha, de um partido tradicional e pró-Washington, mas durante a campanha sinalizou para estreitamento das relações com a China e revisão da postura pró-Guaidó na Venezuela do atual presidente Varela.

– O secretário-geral da OTAN Jens Stoltenberg afirmou semana passada que o Brasil não pode se tornar membro integral da organização, como havia sugerido Trump durante a visita de Bolsonaro aos EUA, mas apenas parceiro próximo, tal como a Colômbia.

– O Papa Francisco está sofrendo perseguição por parte de um grupo de sacerdotes e teólogos que o acusam de “heresia” com relação às suas declarações sobre sexualidade. Segundo o grupo, o Papa não se coloca veementemente contra o aborto, dá sinais de abertura do Vaticano para homossexuais e divorciados e se aproxima de protestantes e muçulmanos.

 *Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.


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