Notas Internacionais

por Ana Prestes

07 de agosto de 2019, 15h17

Desmatamento na Amazônia repercute na imprensa internacional

Ana Prestes relembra trecho de reportagem do "The Economist": “O que poderia (ou deveria) fazer a comunidade internacional para prevenir que um desorientado presidente brasileiro tome medidas que prejudiquem a todos nós?”

Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT

– O tema do desmatamento da Amazônia tem sido muito pautado pela imprensa internacional. Dados do Inpe, revelados nesta terça (6), mostram que o desmatamento em julho cresceu 278% em relação a junho. A questão foi tema de um artigo de um professor norte-americano, Stephen Walt, no Foreign Policy, com o título “Quem irá salvar a Amazonia (e como)?” e o subtítulo: “É apenas uma questão de tempo até que as maiores potências tentem parar o câmbio climático através de qualquer meio necessário”. O autor cita o dossiê da semana passada da revista The Economist com o título “Deathwatch for the Amazon” (Relógio da Morte para a Amazônia) e faz a seguinte questão no texto: “O que poderia (ou deveria) fazer a comunidade internacional para prevenir que um desorientado presidente brasileiro (ou líderes políticos de outros países) tome medidas que prejudiquem a todos nós?”.

– O governo brasileiro vai impedir a entrada de funcionários de alto escalão do governo da Venezuela. A decisão veio logo após o fim da reunião do Grupo de Lima, no Peru na última segunda (5), da qual participou Ernesto Araújo. Segundo o chanceler, o ato, que será publicado em portaria, “encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro”. O ataque à Venezuela ganhou novos contornos no início desta semana, aquecidos pela reunião do Grupo de Lima e a decisão dos EUA de embargar economicamente a Venezuela e punir todos que fizerem transações comerciais com o país.

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– A reunião do Grupo de Lima desta semana, na verdade, foi um grande ato, como um Foro de São Paulo às avessas, que contou com a presença de representantes de mais de 50 países e levou o nome de “Conferencia Internacional por la Democracia en Venezuela”. Foi um chamado a uma ação contra o governo de Maduro e um reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino do país. Quando perceberam o total enviesamento do encontro, os governos do México e do Uruguai cancelaram sua participação. O chanceler argentino, Jorge Faurie, foi um dos mais entusiasmados participantes do encontro e fez um chamado aos países para que não se permita que a Venezuela tome assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU em outubro. Quanto à participação dos EUA, coube a Wilbur Ross, secretário de comércio de Trump, explicar os planos econômicos da Casa Branca para o “day after” da pretendida queda de Maduro, apontando para a reconstrução do mercado doméstico com assistência internacional. Um dos únicos pontos que divide opiniões no grupo tange aos “diálogos de Barbados”, que na verdade foram iniciados na Noruega, entre governo e oposição venezuelana. Sobre o ponto, disse o chanceler peruano, Néstor Popolizio: “não todos e cada um dos países tem exatamente a mesma postura sobre os diálogos. Temos expectativas, não obstante somos céticos e desejamos que não se produzam especulações”.

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– No Paraguai, Marito pode não cair, até porque a oposição não tem os apoios necessários para um impeachment, mas sua gestão já não será mais a mesma. O presidente sai muito chamuscado do Itaipu Gate. Nesta terça (6), o jornal paraguaio ABC revelou várias mensagens entre o presidente e o diretor-geral da ANDE (estatal de energia paraguaia). A matéria do jornal provocou aceleração da apresentação de um requerimento de “juicio político” no Congresso paraguaio e, inclusive, houve mobilização popular em frente à casa legislativa. Pelas mensagens percebe-se que Marito sabia dos termos do acordo, estava ciente de que aumentaria o custo da energia para seu país e consequentemente sua população e ainda orientou para que o acordo ficasse em sigilo. A certa altura dos diálogos, Marito diz: “Não se pode ganhar tudo em uma negociação”. Isso foi dito enquanto ele pressionava Pedro Ferreira, da ANDE, a executar o acordo de maio, que, por sua vez, dizia que faria todo o possível, visto que a implementação do negociado poderia impactar até em 400 milhões de dólares de custos internos para o país. As mensagens mostram também que Marito parecia estar a par de que uma empresa brasileira, a Leros, apadrinhada pelo vice-presidente paraguaio Hugo Velázquez, estava em tratativas para ser a revendedora da energia excedente da parte paraguaia de Itaipu, fruto do acordo. Em todas as mensagens, o presidente paraguaio parece estar “apurado”, pois a chancelaria brasileira estaria congelando relações com o país por não cumprimento do acordo firmado.

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– A tensão entre EUA e China continua mais forte do que nunca. Nesta terça (6), os americanos acusaram o governo chinês de “manipulação cambial” e o banco central da China alertou que tal classificação vai “prejudicar seriamente a ordem financeira internacional e provocar caos nos mercados financeiros”. Segundo ainda informe do BC Chinês, o país “não usa e não usará a taxa cambial como uma ferramenta para lidar com as disputas comerciais (…) A China avisou os EUA para segurarem as rédeas antes do precipício, e para estarem cientes de seus erros, voltando atrás em sua trajetória errada”. Segundo o editor do jornal chinês People´s Daily: a China “não espera mais boa vontade dos EUA”.

– Na Espanha já se fala em novas eleições, visto que Pedro Sanchez não consegue compor o governo. Mais de quatro meses após as eleições gerais no país, os partidos seguem sem acordo para a formação de um novo governo. Algo semelhante ocorreu com a Itália em suas últimas eleições. O PSOE, partido de Sánchez, foi o vencedor do escrutínio, com a eleição de 123 deputados, sem maioria absoluta (176), portanto, e sem poder formar governo sem alianças. Segundo uma pesquisa divulgada na terça (6), realizada pela NC Report, 48% da população não quer novas eleições, enquanto 33%, sim, quer nova consulta. Já 18% não sabe ou não quis responder ao questionário. A maioria dos opositores a novas eleições votou no PSOE e Podemos, segundo a pesquisa. Já os que votaram no PP, Ciudadanos e Vox, querem eleições. A incapacidade de PSOE e o Unidas Podemos (Esquerda Unida + Podemos) para formar governo pode colocar a perder a maioria que conseguiram formar no congresso espanhol. O impasse está em que Sanchez não aceita as condicionantes do Unidas Podemos e estes não abrem mão de participar diretamente nos programas, e com cargos, dos ministérios, tais como os da Economia, Direitos Sociais, Moradia, Meio Ambiente, Educação etc.


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