Notas Internacionais

por Ana Prestes

06 de setembro de 2019, 11h24

Em visita ao Brasil, chanceler chileno evita comentar ataques de Bolsonaro a Michelle Bachelet

Em nova coluna, Ana Prestes revela declaração de Teodoro Ribera: “Temos que garantir que as relações diplomáticas e entre países transcendam pessoas, governos e épocas”

Os ministros das Relações Exteriores do Chile, Teodoro Ribera, e do Brasil, Ernesto Araújo - Foto: Arthur Max/MRE

– Bolsonaro continua confundindo política externa com amizade e recebeu efusivamente nesta quinta (5) 11 bombeiros de Israel, que vieram ajudar no combate aos incêndios na Amazônia. Já estávamos no governo bozo quando israelenses vieram também para colaborar em Brumadinho, mas não foram de grande ajuda, segundo nossos bombeiros nativos. Para o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, trata-se de “um ato de ajuda, é um ato de irmãos”.

– No meio das repercussões da agressão de Bolsonaro a Bachelet, o chanceler chileno Teodoro Ribera esteve no Brasil (quinta e sexta). Tentando se esquivar da polêmica, deu declarações tipo: “Entre Chile e Brasil há relações econômicas interessantes. Somos o segundo parceiro regional em matéria de comércio do Brasil. Vocês são o nosso primeiro parceiro. Existem mais de 30 bilhões de dólares investidos pelo Chile no Brasil (…) Temos que garantir que as relações diplomáticas e entre países transcendam pessoas, governos e épocas”.

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– Quem disser que já viu de tudo com esse governo Bolsonaro estará sempre enganado. Na quinta (5), o ministro da Economia subscreveu a agressão do presidente à primeira-dama francesa, Briggitte Macron, e disse que “ela é feia mesmo”. Machistas, misóginos e estúpidos unidos governam o Brasil. Lembremos ao ministro que a Câmara de Comércio Brasil-França é uma das mais antigas do país, de 1900, e segundo a Camex (Câmara de Comércio Exterior), no Boletim de Investimentos Estrangeiros – Países selecionados (2º Trimestre de 2019), a França foi o país que mais se destacou em investimentos no Brasil no segundo trimestre de 2019, com um volume de 8,6 bilhões. A Camex é um órgão do Ministério da Economia a que Guedes pertence.

– Morreu, aos 95 anos, Robert Mugabe. Considerado pai fundador do Zimbábue, governou o país por 37 anos. Desde sua independência da Inglaterra, quando a colônia se chamava Rodésia, em 1979, até 2017, quando perdeu apoio da Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue – Frente Patriótica) e sofreu um golpe militar. Seu governo, que começou desafiando a minoria branca no poder e em momento de libertação e emancipação foi também marcado pelo autoritarismo e a corrupção ao longo de mais de trinta décadas de poder.

– Um dado no Reino Unido tem chamado atenção. Somente nesta semana mais de 100 mil pessoas se registraram como novos eleitores. O voto não é obrigatório no Reino Unido. A maioria dos novos eleitores, quase 60%, são jovens de até 34 anos. Quem mais está comemorando os novos registros é a oposição trabalhista e os grupos anti-Brexit.

– Putin anunciou na quinta (5) que a Rússia vai produzir novos mísseis nucleares antes banidos pelo INF (tratado sobre forças nucleares de médio alcance), assinado com os EUA em 1988, mas abandonado pelos norte-americanos recentemente. Putin disse ainda que só instalará e colocará as novas armas em operação se os norte-americanos o fizerem antes. Nas palavras de Putin, “claro que vamos produzir esses tipos de mísseis. Não estamos felizes com o fato de o chefe do Pentágono ter dito que os EUA pretendiam instalá-los no Japão e Coreia do Sul”. As declarações foram dadas em um fórum econômico ocorrido em Vladivostok.

– Uma notícia veiculada nesta quinta (5) agitou o mundo econômico. Segundo o Ministério do Comércio da China, haverá uma nova rodada de negociações com os EUA no início de outubro em Washington.

– Nem mesmo a linha de crédito de 15 bilhões de dólares proposta por países europeus, como a França, para o Irã, fez com que o governo iraniano desistisse do anúncio de que elevará o grau de enriquecimento do urânio. O anúncio foi coincidente com o aumento das sanções norte-americanas, nesta quarta (4), na tentativa de interromper o que os americanos chamam de “rede de fornecimento ilegal de petróleo para o governo da Síria”. Tensão segue alta na região.

– Outra região que anda tensa é a fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. Na quinta (5), Maduro disse que o governo vai lançar mão de um “sistema de mísseis de defesa antiaérea, de defesa terrestre, blindada” no período entre 10 e 28 de setembro, ao tempo em que se realizarão exercícios militares nos 2.219 quilômetros de fronteira que a Venezuela divide com a Colômbia. Estão em alerta laranja os estados de Zulia, Táchira, Amazonas e Apure, todos fronteiriços com a Colômbia.

– Foi empossado na quinta (5) o novo governo da Itália. Formado pela coalizão entre o 5 Estrelas e o PD (Partido Democrata). Os partidos originalmente são rivais, mas se uniram para derrubar as pretensões de Matteo Salvini e reconduziram Giuseppe Conte ao cargo de primeiro-ministro. Luigi Di Maio, do 5 estrelas, que rivalizava com Salvini no governo anterior, assumirá o ministério das Relações Exteriores.

– Os EUA vetaram no Conselho de Segurança da ONU, na quinta (5), uma resolução que condenava Israel pelos recentes ataques ao Líbano.

– Os palestinos consideram que foi uma derrota para os EUA o fato de que Jason Greenblatt, enviado especial dos norte-americanos para o Oriente Meéio tenha renunciado ao seu mandato. Greenblatt, junto com o genro de Trump, Jared Kushner, estava trabalhando em um plano que chamam de “acordo do século”, que omite claramente os direitos do povo palestino. Brian Hook, que hoje representa a Casa Branca na lida das questões com o Irã, substituirá o colega na condução do mirabolante plano que exclui os palestinos.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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