Notas Internacionais

por Ana Prestes

18 de março de 2020, 12h45

EUA mantêm sanções ao Irã mesmo com crise do coronavírus

“A situação está colocando vidas em jogo, diante de um sistema de saúde já colapsado pelos atuais casos da doença”, diz Ana Prestes em sua coluna

Foto: Reprodução/Twitter

– Pela primeira vez em dias as bolsas nas Américas fecharam em alta nesta terça (17). O Ibovespa fechou com 4,85% e Dow Jones, 5,2%. Na Europa fecharam em alta, mas a 2% ou 3%. Na Ásia fecharam no vermelho. Calcula-se que no Brasil, desde janeiro, investidores já tiraram 10 bilhões de dólares. Não é à toa que o dólar está a R$ 5,00. O cenário é de bastante pessimismo diante da possibilidade de uma recessão global. Mesmo a China tendo se recuperado do coronavírus, as quedas nos índices de sua economia assustam.

– Em meio à crise do coronavírus, seguem as prévias democratas nos EUA. Na terça (17) houve primárias no Arizona, Flórida e Illinois. Em Ohio, houve adiamento para 2 de junho, para evitar aglomerações de pessoas em tempos de pandemia. Nos outros estados, houve voto antecipado por correio. Em tom já conciliatório com os apoiadores de Sanders, Biden disse: “Permitam me dizer, especialmente para os mais jovens que foram inspirados pelo senador (Sanders): eu estou ouvindo. Entendi o que está em jogo. Sei o que temos de fazer”. Já é praticamente certo que Biden será o candidato democrata antiTrump.

– No Brasil a carga do enfrentamento ao coronavírus está sobre o sistema público de saúde e seus profissionais que, aos poucos, vão se transformando em heróis. Enquanto isso, o presidente Bolsonaro segue politizando o debate, tentando enquadrar seu ministro da Saúde e atacando a Venezuela. Alegou que fechou a fronteira com a Venezuela, pois a “ditadura” vizinha não será capaz de lidar com o vírus. Seu assessor de relações internacionais segue o mesmo tom. Enquanto isso, uma brigada de médicos cubanos, que pertence ao Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias Henry Reeve, chegou a Caracas. Na equipe há microbiólogos, biólogos, infectólogos, intensivistas, além de Luis Herrera, criador do Interferón (medicamento cubano usado na China contra o Covid-19). A Venezuela está desde terça (17) em quarentena total. Até ontem, havia 33 casos registrados e nenhuma morte pelo vírus.

– No Chile, representantes da área da saúde, partidos e organizações da sociedade civil estão pedindo ao governo adiamento do plebiscito sobre a Constituição marcado para o dia 26 de abril. O motivo é a pandemia do coronavírus. O país possui hoje 155 infectados e está com fronteiras aéreas, marítimas e terrestres fechadas desde terça (17). Aulas estão suspensas e estão proibidos eventos com mais de 50 pessoas. O ministro da Saúde, Jaime Mañalich, questionado pela imprensa sobre o adiamento, respondeu: “Não há nenhuma decisão tomada sobre isso. Nós, como Saúde, continuamos trabalhando para que o plebiscito seja realizado da melhor maneira possível, colocando postos sanitários nos locais de votação”. O calendário é de plebiscito em 26 de abril e, caso vença o “Aprovado” por uma nova constituição, eleição de constituintes regionais em outubro, junto com eleições regionais e municipais.

– No Irã, quase 10% do parlamento está com coronavírus, muitos membros do governo também. O número total oficial de casos passa dos 16 mil. Mesmo assim, seguem as sanções econômicas norte-americanas. As sanções afetaram profundamente a capacidade do país de fazer compras do exterior. Empresas que venderem para o Irã são punidas perdendo acesso ao mercado dos EUA. A situação está colocando vidas em jogo, diante de um sistema de saúde já colapsado pelos atuais casos. O presidente Hassan Rouhani fez um apelo ao FMI e ao mundo pelo fim das sanções. O chanceler Javad Zarif disse: “É imoral deixar um valentão (Trump) matar pessoas inocentes”. A chancelaria da China também reagiu, dizendo que as sanções vão contra “o humanitarianismo e atrapalha a resposta à epidemia no Irã e a entrega de ajuda humanitária da ONU e outras organizações”. Mike Pompeo tem feito chantagem com o Irã, dizendo que qualquer ajuda deverá ter, em contrapartida, a libertação de estrangeiros e pessoas com dupla nacionalidade detidas no país. Os EUA podem vetar os 5 bilhões de dólares que os iranianos pediram ao FMI.

– EUA e China estão se atacando por conta da “origem” do novo coronavírus. Jornalistas têm sido expulsos de parte à parte.

– A Corte Constitucional da Rússia decidiu esta semana que são válidas as propostas de mudança na lei, que permitem a Vladimir Putin permanecer no poder até 2036. Trata-se de uma emenda constitucional que permite ao presidente concorrer a mais reeleições. Seu atual mandato vai até 2024. Na votação, Putin obteve 383 votos a favor, 0 contra e 43 abstenções. Putin está com 67 anos hoje.

– Enquanto todos se ocupam do coronavírus, dados alarmantes sobre epidemia de dengue chegam da Argentina e dos EUA. Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), 3.139.335 casos foram registrados no continente em 2019, com 1.538 mortes. Seis vezes mais do que em 2018. Já nas primeiras quatro semanas de 2020, foram registrados 125.514 casos, bem maior que no mesmo período do ano passado. No último boletim epidemiológico de Buenos Aires, na Argentina, em 13 de março, foi apontado que a capital está em risco máximo de contágio por dengue. São 666 casos na capital, quando no mesmo período do ano passado eram 18 ou 2 em 2017.

– Na Bolívia, as últimas pesquisas, realizadas entre 5 e 11 de março, apontam para a consolidação da liderança de Arce. Ele aparece com 33,3% das intenções de voto, enquanto Mesa está com 18,3%, Añez com 16,9% e Camacho com 7,1%. Todos os demais pontuam abaixo dos 3%.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum


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