Notas Internacionais

por Ana Prestes

26 de maio de 2020, 14h12

Exemplo de Bolsonaro, Suécia é a sexta do mundo em mortes por Covid-19 e prevê queda de 6% no PIB

Maior parte do comércio do país ficou em atividade no início da pandemia, até que foram obrigados a fechar por causa do aumento exponencial do número de casos de contaminação por coronavírus, diz Ana Prestes

Bares lotados na Suécia durante a pandemia do coronavírus (Foto: Reprodução RT)

A Suécia, um dos países que recusou as recomendações da OMS quanto à pandemia e já foi usado como exemplo a ser seguido pelo presidente Bolsonaro, continua com uma alta taxa de mortalidade pelo coronavírus. A mais elevada dos países nórdicos e a sexta do mundo. Por lá, a maior parte do comércio ficou em atividade, assim como restaurantes, cabeleireiros, bares e academias, até que foram obrigados a fechar por conta do aumento exponencial do número de casos. O pib vai cair igualmente, na média entre 6% e 7% como está ocorrendo com outros países. De nada adiantou resistir ao fechamento.

Os EUA anteciparam a restrição para viajantes que tentem chegar ao país via Brasil. A princípio começaria a valer a partir da sexta, 29 de maio, mas foi antecipado para amanhã (27). A proibição não tem data para acabar e não afeta cidadãos norte-americanos e residentes permanentes legais nos EUA. O governo brasileiro tentou minimizar a medida anunciando que os EUA vão enviar 1000 respiradores para o Brasil, mas o governo dos EUA ainda não deu detalhes sobre quando e como chegarão esses aparelhos.

Nossos vizinhos aqui do sul também estão aprimorando as medidas de isolamento do Brasil. Argentina, Colômbia, Paraguai e Uruguai são os países que mais estão blindando as fronteiras binacionais com o Brasil, para proteger sua população do contágio pelo novo coronavírus. Na cidade de Rivera, no Uruguai, houve contágios provocados pela proximidade com Santana do Livramento, cidade gaúcha. Por enquanto, o Uruguai registra apenas 22 mortes por Covid-19 e com uma taxa de letalidade de 2,8%, já o Brasil está com mais de 23 mil mortes e uma taxa de letalidade de 6,24% (com dados do G1). Será implementado um Tratado de Ação Binacional Sanitária para o controle da infecção na região.

Uma notícia que escapou aqui das notas na semana passada foi a do rompimento por parte dos EUA do Tratado dos Céus Abertos, assinado em 1992 como parte do contexto do fim da guerra fria, e que trata desregulação de voos de aviões militares responsáveis por monitorar arsenais balísticos como mísseis e ogivas nucleares. Permissão para aviões sobrevoarem instalações, como uma forma de checagem recíproca entre as duas potências. A formalização do rompimento se deu na última sexta (22) e vem meses depois do rompimento de outro acordo com a Rússia, que reportamos aqui nas Notas, referente a Forças Nucleares de Alcance Intermediário, o INF. O governo Trump justifica a saídas dos acordos com o que qualifica de “não cumprimento por parte dos russos”. Diante do rompimento, autoridades russas disseram que o tratado não é bilateral, mas multilateral e que essa decisão afetará os interesses de todos os participantes, se referindo nos interesses de segurança dos países europeus.

Os EUA continuam violando os direitos humanos de crianças das famílias de migrantes. Segundo uma reportagem da Reuters, desde março pelo menos mil crianças migrantes desacompanhadas foram enviadas ao México, El Salvador, Guatemala e Honduras. Segundo a Unicef, “isso significa que muitas crianças devolvidas estão agora em risco dobrado se comparado ao período quando deixaram suas comunidades”. Por outro lado, há relatos da Guatemala e Honduras de impendimento de entrada de migrantes que retornam, inclusive crianças e tudo isso no contexto da pandemia do novo coronavírus. Comunidades inteiras rechaçam deportados dos EUA com medo de contágio.

Semana passada (22), tive a oportunidade de conversar no bate papo que tenho feito às sextas no face e youtube do Portal Vermelho com o ex-senador boliviano, Adolfo Mendoza. Esta semana conversaremos com a deputada chilena Karol Cariola. Adolfo nos trouxe informações muito importantes sobre o que está acontecendo na Bolívia e que nossa imprensa não tem publicado. Exatamente um dia antes da nossa conversa, na quinta 21 de maio, um grupo do alto comando militar da Bolívia, dirigido pelo comandante em chefe das Forças Armadas, general Sergio Carlos Orellana, entrou no parlamento nacional (Assembleia Legislativa Plurinacional) em trajes camuflados de campanha e deu um ultimatum aos senadores para que aprovassem e “sem mudanças” a “orden de ascensos”, ou seja, as promoções de carreira para os oficiais militares do Exército, da Força Aérea, generais de Divisão e Vice-Almirantes. Na saída do edifício da Assembleia, Orellana disse: “já passou tempo demais em relação à resposta que deveria ter sido dada às Forças Armadas. Como instituição, vamos esperar até a próxima semana para que a Assembleia se pronuncie e ratifique as promoções”. Na sequencia, Orellana ainda ameaçou que caso o Senado não aprove a nominata de promoções, as Forças Armadas o farão por “meios próprios”. A presidente do Senado boliviano, Eva Copa, reagiu dizendo que “caso seja consumado o ato das promoções através de alguma manobra jurídica se colocará em evidência que o Governo é “de Fato”, hostil ao sistema democrático da Bolívia e com ações próprias de uma ditadura”. Nesse mesmo dia, o ex-presidente Evo Morales se manifestou pelo twitter: “é inédito e altamente preocupante que um Comandante em Chefe das Forças Armadas se apresente em uniforme de campanha para impor prazos à Assembleia Legislativa, inclusive passando por cima da autoridade de Órgão Executivo; e que logo se declare à imprensa mobilizada na Praça Murillo”. Segundo a constituição boliviana (artigo 160), é atribuição do Senado ratificar a proposta de promoções a generais das Forças Armadas apresentada pelo Executivo. O governo da presidente de fato Jeanine Añez, que chegou ao governo amparada pelas Forças Armadas, já enviou uma proposta com amplas promoções ao generalato no âmbito das FFAA e principalmente desconsiderando que muitos estiveram envolvidos nos massacres de civis que resistiram ao golpe de 2019. O Senado, hoje de maioria parlamentar do MAS, partido do ex-presidente Evo Morales, ainda não deliberou sobre a nominata também como forma de resistência ao avanço do golpe. Os dias seguintes ao ultimatum têm sido de muita tensão, especialmente depois que as e os senadores disseram que não vão fazer caso do prazo determinado pelas FFAA. O ministro do interior, braço direito de Añez, Arturo Murillo, chegou a fazer ameaças de prisão das/dos senadores, ao dizer: “cuidado que amanhã estarão na prisão e vão dizer que é perseguição política”. (Com dados da Prensa Latina e do Página 12)

O internacionalismo médico cubano fez aniversário. Data de 23 de maio de 1963 a primeira missão médica cubana para o exterior, quando um voo da Cubana de aviação pousou na Argélia na África, logo após a independência argelina de 1962. Com a independência, a população de 11 milhões de habitantes ficou sem médicos, quase todos franceses. Poucos meses depois, os médicos cubanos se encontrariam com Che em terras argelinas. Estas informações estão no texto de Maribel Acosta Damas no site Juventud Rebelde. Hoje, em plena pandemia do novo coronavirus, Cuba apresenta dados favoráveis no enfrentamento da doença causada pelo vírus. Até o dia 24 haviam 445 pacientes hospitalizados, sendo 159 confirmados como positivos para o vírus, desses, 154 em condição clínica estável. Até agora, Cuba registrou 82 falecidos pela Covid-19.

Chegam poucas notícias da pandemia na África. O continente já passou dos 110 mil casos registrados e mais de 3 mil mortes. A infecção já chegou em todos os países do continente. Os mais atingidos são a África do Sul, o Egito e a Argélia. Os países com menos registros são a Namíbia, Seychelles e o Lesoto. Egito e Argélia lideram com mais mortos. Segundo o chefe de emergências da OMS, Mike Ryan, reportou que há subnotificação considerável e quatro países tiveram aumento de 100% dos casos na semana passada. O grande temor das agências humanitárias é quanto à população que se encontra nos campos de refugiados.

Na Europa, governos da Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal publicaram declaração conjunta acusando Google e Apple de oferecerem aplicativos de rastreamento de casos de coronavírus sem autorização governamental. Os governos firmantes dizem que UE precisa de uma “soberania digital, base para que a Europa seja competitiva”.


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