Notas Internacionais

por Ana Prestes

19 de agosto de 2019, 10h25

Governadores da Amazônia Legal querem negociar com Noruega e Alemanha sem interferência do governo

Ana Prestes explica que, para isso, pode surgir um novo consórcio de governadores de Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

Foto: Arquivo/WWF

– Depois do Consórcio de Governadores do Nordeste, pode surgir um novo consórcio de governadores da Amazônia Legal – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Eles querem se esquivar do governo central e negociar diretamente com Noruega e Alemanha os recursos destinados ao Fundo Amazônia. Os recursos poderiam ser gerenciados pelo Banco Amazônia. Por falar nesse assunto, Bolsonaro quis desdenhar dos recursos noruegueses recentemente suspensos divulgando um vídeo de caça de baleias, mas não se atentou para o fato de que a tal caçada se deu em uma ilha dinamarquesa.

– Um dos nomes mais fortes do agronegócio no país, Blairo Maggi, resolveu falar sobre o discurso ambiental adotado pelo atual governo. Segundo ele, “temos uma relação muito complicada com a Europa (…) para criarem mais mecanismos para dificultar a entrada de carne e frango ou outros produtos do Brasil, é dois tempos”. Ele ainda complementou dizendo que a França já não quer a efetivação do acordo Mercosul – União Europeia e que este ambiente é propício para eles afirmarem que o “Brasil não estaria cumprindo regras”.

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– O líder da Frente para Todos da Argentina, Alberto Fernández, que obteve significativa vitória nas últimas PASO (primárias obrigatórias eleitorais) mandou um recado para Bolsonaro neste final de semana. Em entrevista ao “La Nacion”, disse: “Não se preocupem, porque não penso em fechar a economia”. Ele ainda complementou: “Para mim, o Mercosul é uma questão central. E o Brasil é nosso principal parceiro e continuará sendo. Se Bolsonaro pensa que vou fechar a economia e que, então, o Brasil vai sair do Mercosul, que fique tranquilo, porque não penso em fazer isso. É uma discussão burra…”.

– O Uruguai está passando por uma situação inédita. Está tendo que comprar carne do Brasil. Isso se deve ao aumento da exportação de carne uruguaia e alta qualidade principalmente para a China, mas também para outros países. Segundo a reportagem do El Pais que trata do tema, o Uruguai, que tem pouco mais de três milhões de habitantes, possui 13 milhões de bovinos. Hoje, o país vende o quilo do novilho a 4,00 dólares e compra do Brasil a 2,65 dólares. Um dado interessante é que na China, a cada 100 gramas de aumento no consumo da carne, a demanda cresce em 140 mil toneladas, ou seja, daqui uns dias, os uruguaios estarão disputando seu tradicional assado a tapas com os chineses.

– Parece chover no molhado, mas nunca é demais dizer que mais um barco humanitário, o “Open Arms”, está à deriva na Europa com mais de cem imigrantes a bordo. Já são duas semanas de negociações com Matteo Salvini, o ministro italiano, que no sábado (17), após muita pressão aceitou o desembarque de 27 menores de idade. As condições internas de salubridade são terríveis, além de uma relatada tentativa de suicídio, e segundo o comandante do barco não seria possível navegar mais seis dias para chegar à Espanha. A França já aceitou acolher 40 dos 100 imigrantes.

– Por falar em Itália e em Salvini, vejamos o que está se passando para além dos portos italianos, fechados aos migrantes, no coração de Roma. Semana passada, no tradicional Ferragosto, quando é comemorada a Festa de Assunção de Maria pelos italianos, mais precisamente no 15 de agosto, e também quando se dá início ao sagrado período de férias, algo extraordinário ocorreu. Os políticos tiveram que trabalhar e ainda estão nisso para tentar dar solução a uma crise política iniciada por Salvini que quer dissolver o próprio governo do qual faz parte, com a esperança e ser eleito com mais força em uma eventual nova eleição.

– Foi rejeitado no domingo (18), pelo governo britânico de Gibraltar, um pedido dos EUA para reter um petroleiro iraniano. O petroleiro foi retido no estreito por suspeita de estar transportando petróleo para a Síria e o país está sob embargo da UE. Em seguida, foi liberado sob a informação de que os mais de 2 milhões de barris de petróleo não tinham Damasco como destino. Os americanos também entraram na confusão e pedem para que o petroleiro fique retido com base nas sanções norte-americanas ao Irã. O episódio é só mais uma demonstração das crescentes dificuldades do Irã para exercer suas atividades comerciais.

– O Sudão, que está sob intervenção militar desde a queda de seu presidente, Omar al-Bashir (30 anos no poder) parece ter alcançado um acordo. Foi assinado no sábado (17) um termo entre militares e oposição. O documento foi assinado por Mohamed Hamdan Daglo, o número dois do Conselho Militar, e por Ahmed al Rabie, representante da Aliança para a Liberdade e para a Mudança (ALC), movimento que tem estado à frente dos protestos. Autoridades de demais países africanos participaram da solenidade de assinatura do acordo em Cartum. Etiopia e União Africana foram mediadores das conversas. Serão 39 meses de transição, segundo o que foi assinado.

– Segundo Ritzau Scanpix, no jornal espanhol “El Mundo”, há uma razão para Trump querer comprar a Groenlândia da Dinamarca. A mudança climática fez realidade no Estreito de Bering. A disputa territorial que remete a algo que só se viu no século XIX, com a compra pelos EUA do Alaska da Rússia, ou com a divisão da África entre europeus após a Primeira Guerra Mundial, tem como alvo um novo continente: o Ártico. Novo porque com o aquecimento global e o degelo da região, o território está aberto para a atividade humana. Segundo dados recentes, agora há que se navegar cerca de 250 quilômetros ao norte no Alaska para se encontrar gelo. No mês passado (julho), o nível do oceano em todo o mundo subiu um milímetro devido ao derretimento do gelo na Groenlândia.

– Sobre o Itaipu Gate, em entrevista a Leonardo Severo, no jornal Hora do Povo, a senadora Esperanza Martínez, líder da bancada da Frente Guazu no senado paraguaio, disse: “Aqui no Paraguai há uma forte indignação sobre a posição política do presidente e a maneira como se comportou na relação bilateral com o presidente Bolsonaro, a que, aparentemente, estava cedendo benefícios de compra direta a uma empresa ligada à sua família”.  E ela ainda alerta: “Há uma disputa entre os setores progressistas e de esquerda (com o governo) para sustentar a ANDE (estatal elétrica) como empresa elétrica publica, porém, evidentemente, há também interesses de empresários paraguaios e brasileiros para a privatização (…) acredito que o projeto de privatização também ameaça a Eletrobrás”.

– Decidido a liderar o RU em sua saída da UE até 31 de outubro, Boris Johnson, fará uma rodada de conversas esta semana no pré-G7 do final de semana. Principais reuniões devem ser com Angela Merkel e Emmanuel Macron.

– Um protesto pelas ruas de Hong Kong realizado domingo (18) pode ter levado mais de um milhão de pessoas às ruas. Segundo o “The Guardian”, havia 1,7 milhão de pessoas no evento e não há relatos de violência na imprensa ocidental.

– E Bolsonaro disse em uma de suas “lives” que caso seja inviabilizada a aprovação do Acordo de Salvaguardas para utilização da Base de Alcântara do Maranhão, poderá transferir a base para o Amapá.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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