Notas Internacionais

por Ana Prestes

12 de agosto de 2019, 11h16

“Hoje tivemos uma eleição ruim”, diz Macri, após derrota eleitoral na Argentina

Ana Prestes: “Na província de Buenos Aires também foi importante a dianteira de Kiciloff frente à atual administradora Vidal, com o primeiro amealhando perto dos 50% e ela ficando na casa dos 30%”

Foto: Reprodução

– A grande nota do dia é o resultado das primárias eleitorais argentinas de domingo (11). Com 15 pontos de dianteira, a chapa encabeçada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner chegou perto dos 48% dos votos, enquanto o atual presidente Macri ficou com 32% e Lavagna em terceiro com 8%. Na província de Buenos Aires também foi importante a dianteira de Kiciloff frente à atual administradora Vidal, com o primeiro amealhando perto dos 50% e ela ficando na casa dos 30%. Macri e Vidal foram os grandes derrotados deste modelo de prévias único no mundo. Horas antes do fechamento das urnas, Macri havia dito: “Estas eleições definem os próximos 30 anos”. Já entrando na madrugada de domingo para segunda ele afirmou: “Hoje tivemos uma eleição ruim”. Nas palavras da ex-presidente C. Kirchner: “Estamos contentes, alegres e otimistas que muitos argentinos compreendam que as coisas devem mudar na República Argentina”.

– PASO é a sigla de Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias. As primárias existem desde 2009 e são destinadas à definição daqueles que participarão das eleições gerais, em outubro. Como este ano os partidos praticamente já decidiram seus candidatos presidenciais, o PASO foi uma espécie de prévia presidencial. Ocorre que para além das cabeças de chapa presidenciais, as demais candidaturas são também decididas pela população no PASO. As primárias funcionam com todos os cidadãos argentinos tendo a obrigatoriedade de votar, todos os partidos apresentam seus candidatos para variados cargos, as pessoas não precisam estar filiadas a um partido para votar sobre quem deve ser seu candidato a determinado cargo. Por exemplo, uma pessoa pode votar para definir quem será o candidato ao senado de um partido X e o candidato a deputado de um partido Y. O voto para dois ou mais candidatos a um mesmo cargo anula o voto. As pessoas que não votam e não justificam a ausência são colocadas em uma lista de “infratores” e devem pagar multa.

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– Domingo (11) também foi dia de eleições na Guatemala. Venceu o candidato da direita conservadora, Alejandro Giammattei, com 58,1% dos votos. A ex-primeira-dama e candidata Sandra Torres terminou com 41,8% dos votos. Giammattei deve seguir o perfil de gestão de Jimmy Morales. Chamou bastante atenção o grande número de pessoas que deixaram de votar. Somente 42% dos cidadãos exerceram o direito ao voto. Todo o processo eleitoral foi bastante conturbado, com vários postulantes ao cargo impedidos de concorrer por manobras do governo. Uma das candidatas no primeiro turno das eleições, a indígena Thelma Cabrera, foi das que mais denunciou o uso do poder econômico e político para inviabilizar eleições justas. Pouco antes do segundo turno, Morales assinou um acordo migratório com os EUA que praticamente transforma o país em uma prisão para migrantes centro-americanos que tentam chegar aos EUA.

– No Paraguai, segue o Itaipu Gate. Domingo (11), o presidente Mario Abdo Benítez prestou depoimento por cerca de sete horas ao Ministério Público local. O depoimento se deu na casa de Marito e ele foi ouvido como “testemunha”. Segundo a imprensa, procuradores relataram entrega do aparelho celular pelo presidente. Pedro Ferreira, ex-presidente da estatal elétrica paraguaia (ANDE), também já havia entregado seu celular. Nesta segunda-feira (12), o vice-presidente Hugo Velázquez também será ouvido. O domingo (11) também foi movimentado por parte dos partidos e organizações que tentam catalisar a insatisfação popular com o presidente. Segundo Ricardo Canese, presidente da Frente Guasu, uma greve geral será convocada para a próxima quinta, 15 de agosto.

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– Está na coluna de Andreia Sadi, da Rede Globo, que o presidente Bolsonaro estaria fazendo vários agrados, típicos da “velha política” aos senadores, em especial ao presidente do senado Davi Alcolumbre, que teria emplacado dois nomes para o CADE e “otras cositas más”, em troca de facilitar a vida do filho Eduardo Bolsonaro na sabatina que terá que enfrentar na casa legislativa para se transformar Embaixador do Brasil nos EUA.

– Ao saber que a Alemanha deixará de investir 155 milhões de reais no Fundo Amazônia, Bolsonaro disparou: “Não vai mais comprar a Amazônia, vai deixar de comprar à prestação a Amazônia, pode fazer um bom uso dessa verba aí”.

– Na Venezuela, o final de semana foi de impressionantes imagens de milhares de pessoas participando das manifestações contra o bloqueio de Trump, mas principalmente nas filas para assinar um documento que será entregue ao Secretário-Geral da ONU como forma de protesto contra o bloqueio. Enquanto isso, Guaidó tentou também pautar a imprensa, com sucesso, como sempre, para dizer que a Assembleia Constituinte pretende fechar a Assembleia Nacional em desacato e realizar novas eleições.

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– Em Lisboa, centenas marcharam em protesto com cartazes e dizeres antinazistas contra uma conferência de grupos de extrema direita organizada pela Nova Ordem Social de Portugal.

– Já são dez semanas consecutivas de protestos em Hong Kong. Mirando a imprensa internacional, os manifestantes elegeram o aeroporto como ponto de concentração nas últimas semanas. Segundo essa mesma imprensa, nenhum avião está saindo hoje da ilha.

– O domingo (11) foi tenso também na região da Caxemira. Houve protestos em Srinagar, principal cidade do país, contra a decisão da Índia de limitar sua autonomia e impor controle mais rígido à região, que é disputada territorialmente pelo Paquistão.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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