Notas Internacionais

por Ana Prestes

10 de março de 2020, 16h34

Itália ultrapassa Coreia e está atrás somente da China em número de casos do coronavírus

Leia na coluna de Ana Prestes: “Toda a Itália está com mobilidade restrita e seguirá assim pelo menos até 3 de abril. Além da mobilidade, está proibido fazer reuniões públicas”

Foto: National Institutes of Health (NIH)

– Nesta segunda (9), em um dia em que os mercados mundiais entraram em pânico com a crise do preço do petróleo misturada com o problema do coronavírus, o presidente Bolsonaro disse lá de Miami que o destaque do dia foi o debate nas redes sobre o Dr. Drauzio Varella por conta de uma matéria do Fantástico da semana passada (1). Disse também que o mundo está “superdimensionando o coronavírus”. Isso porque ele cancelou uma turnê para Hungria, Polônia e Itália por conta do vírus. E fechou com uma pérola bolsonarista, atacando o TSE e dizendo que houve fraude na eleição de 2018, quando, na verdade, ele venceu no primeiro turno. Enquanto isso, no Brasil, a Bolsa despencava 12,17%, a Petrobras perdia 80 bilhões, o dólar ia a R$ 4, 728 e o risco país aumentava 40%.

– Um estudo da OMS divulgado pela Super Interessante no Brasil mostra por que o novo coronavírus covid19 tem efeitos leves em alguns casos e grave em outros. Tem a ver com a trajetória do vírus no organismo. O estudo foi feito com os primeiros 56 mil casos de infectados na China. Segundo os pesquisadores, se o vírus fica apenas na região do nariz à garganta, os sintomas são como de um resfriado normal, mas se ele chega aos pulmões pode ser fatal. Isso explica, segundo o estudo, porque pessoas mais velhas, em torno dos 80 anos, tendem a morrer de pneumonia decorrente do vírus, pois tem o sistema imunológico mais frágil. Nesse público, até 80% podem vir a óbito, enquanto entre pessoas de 10 a 39 anos o caso de morte é de 0,2% (com dados dos 72 mil primeiros pacientes na China).

– Por falar em coronavírus, na Itália já são 463 os vitimados pela infecção. O número de infectados é de 7.985, desses, 4.316 estão internados, 733 na uti e 2.936 em isolamento domiciliar. A partir desta terça (10), toda a Itália está com mobilidade restrita e seguirá assim pelo menos até 3 de abril. Além da mobilidade, está proibido fazer reuniões públicas, cerimonias religiosas (casamentos, funerais), funcionamento de bares e restaurantes, escolas, faculdades, eventos esportivos e por aí vai… Aliás, a Itália já passou a Coreia do Sul em quase 2.000 casos. Tornou-se o país de maior preocupação após a China. Na sequência vem a Coreia do Sul, com 7.513 casos, e o Irã, com 7.161. A diferença entre esses quatro países, China, Itália, Coreia do Sul e Irã e o resto do mundo ainda é grande. O próximo país com o maior número de infecções é a França, que está na casa dos 1.400 casos. O Brasil figura na tabela com 30 casos, atrás do Vietnam e na frente da Palestina. O presidente chinês Xi Jinping está nesta terça (10) em Wuhan, epicentro da epidemia. A visita ocorre no dia de menor registro de novos casos na China, são 19, menor número desde 21 de janeiro. O governo chinês mostra ao mundo sua capacidade de controlar a epidemia. Praticamente não há casos de contágio local pelo país. No total, 70% das pessoas infectadas na China já estão recuperadas. A maioria dos 16 hospitais de campanha abertos especificamente para atender aos casos já foram fechados. Apenas dois estão abertos.

– O 8 de março foi no domingo, mas as mulheres da Argentina, do Chile, do México e do Brasil continuaram suas mobilizações na segunda (9). Na Argentina, foram centenas de milhares de mulheres que se juntaram na 9 de julho e na Avenida de Maio e marcharam até o Congresso Nacional. Várias centrais sindicais marcharam junto. A consigna da marcha foi: “Vivas, Livres e Sem Dívidas nos queremos”. No Chile, após a multitudinária mobilização do domingo (8), que juntou mais de um milhão de pessoas, as mulheres voltaram à Praça Dignidade e marcharam até a Estação Central. Surpreenderam na marcha de ontem os grupos de secundaristas, que em massa deixavam as escolas para se juntar à caminhada. O resultado foi muita violência por parte dos policiais, carabineros ou “pacos” como são chamados pelos manifestantes, especialmente ao final do dia pelas ruas de Santiago. Circulam muitas imagens de agressões aos manifestantes. No México, a chamada da paralisação das mulheres na segunda (9) foi: “Un día sin nosotras” e com bastante foco na questão do feminicídio, que tem aumentado muito, e na violência doméstica. Calcula-se que mais de 100 mil mulheres participaram do protesto na praça Zocalo, na região central da capital. Houve momentos bastante tensos com as forças de segurança, que tentaram impedir as mulheres de pintarem os prédios públicos com as demandas do movimento. Já no Brasil, as mulheres do MST, reunidas no primeiro encontro nacional da mulher sem-terra, ocuparam o Ministério da Agricultura.

– Esta terça (10) é dia de nova consulta das prévias democratas nos EUA. Serão seis estados, Dakota do Norte, Idaho, Michigan, Mississippi, Missouri e Washington. A tendência é que o favoritismo de Biden seja confirmado.

– Circula na Argentina o boato de que o presidente Alberto Fernández teria perguntado à ex-chanceler, do governo Macri, Susana Malcorra, como responder aos desaforos de Bolsonaro. Ele teria recebido o conselho de “baixar o tom e não responder”. O presidente argentino anda bastante preocupado com as relações externas e está concentrado em designar os embaixadores para os principais postos. Para o Brasil, virá Daniel Scioli, ex-vice-presidente de Nestor Kirchner e ex-governador de Buenos Aires. Não é um diplomata de carreira, vem da política. Para os EUA, estão mandando Jorge Arguelo, político e diplomata experiente, muito próximo de Fernández. Para a China, vai um diplomata de carreira, Luis Kreckler, que já foi embaixador no Brasil e tem um perfil mais moderado e conciliador.

– Até aqui parece estar funcionando o cessar fogo estabelecido entre Putin e Erdogan na região de Idlib, na Síria. Como disse o articulista Pepe Escobar, Putin salvou Erdogan de si mesmo.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum


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