Notas Internacionais

por Ana Prestes

23 de agosto de 2019, 10h13

Macron afirma que crime ambiental na Amazônia é prioridade em reunião do G7

Em sua coluna, Ana Prestes, destaca o revide de Bolsonaro às críticas internacionais, dizendo que o debate entre as grandes economias mundiais sem a presença dos países da região amazônica “evoca mentalidade colonialista”

Foto: Reprodução/YouTube

– A crise dos incêndios na Amazônia foi parar na mesa do G7. Na véspera de sediar a reunião de cúpula do grupo, em Biarritz, Macron foi ao Twitter, nesta quinta (22), e disse que “nossa casa está em chamas”, se referiu à Amazônia como pulmão do mundo e disse que a questão dos incêndios estará entre as primeiras pautas da reunião. O premiê canadense Justin Trudeau concordou: “Não poderia concordar mais. Trabalhamos muito para proteger o meio ambiente no encontro do G7 no ano passado. Precisamos agir pela Amazônia”. Houve muita polêmica quanto ao tuite de Macron pelo fato dele ter usado uma foto de 2003 e a controvérsia em torno da consideração da Amazônia como “pulmão do mundo”. O vice-presidente Hamilton Mourão entrou na polêmica dizendo que o pulmão do mundo são os oceanos. O candidato a embaixador nos EUA, Eduardo Bolsonaro, respondeu Macron, replicando um vídeo em que um youtuber chama o presidente francês de idiota. Já o ministro Lorenzoni, perguntado se iria visitar a Amazônia, disse que ia “ver coisa mais importante”.

– Bolsonaro revidou dizendo que a realização desse debate entre as grandes economias mundiais sem a presença dos países da região amazônica “evoca mentalidade colonialista”. Bolsonaro também convocou ministros para uma reunião de crise, entre eles o das Relações Exteriores, Defesa, Agricultura e Meio Ambiente, na tarde de quinta (22), e prometeu outra para esta sexta (23). O presidente brasileiro também falou com o presidente do Chile, Sebastián Piñera, que fez contato para oferecer ajuda. Piñera anunciou que conversou com o presidente boliviano, que enfrenta o mesmo problema. Ambientalistas em movimentos sociais preparam para esta sexta mobilizações nas capitais e grandes cidades com a chamada: “Amazônia Na Rua”. Há notícias também de manifestações ambientalistas marcadas para a frente das embaixadas brasileiras em Londres, Lisboa, Madri, Paris e outras capitais.

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– Enquanto isso, como já havíamos dito aqui nas notas, Bolívia e Paraguai também enfrentam incêndios em seus territórios. Na Bolívia, o presidente Evo Morales sobrevoou na segunda (19) as áreas afetadas para ter a dimensão das queimadas e designou o vice-presidente Álvaro Garcia Linera para conduzir a equipe que está lidando com os incêndios. Sob sua liderança, a Bolívia uniu esforços ao Paraguai para atuarem juntos na resolução do problema. É aguardada com muita expectativa para esta sexta (23) a chegada do maior avião tanque do mundo, o Super Tanker 747, da empresa Global Super Tanker, que deverá iniciar suas operações nas cidades de Charagua e Puerto Busch. Segundo matérias da imprensa, o avião tanque, que tem capacidade para transportar até 72 mil litros de água, também “pode despejar líquidos retardantes, gel, espuma e água ou a combinação de quaisquer dois desses agentes, e pousar e decolar para novas descargas em intervalos de aproximadamente 30 a 35 minutos. Só na região de Santa Cruz, na Bolívia, estima-se que cerca de 654 mil hectares foram afetados pelos incêndios.

– A France Press anuncia nesta sexta (23) que Putin prometeu “resposta simétrica” a teste de míssil dos EUA. O presidente russo se refere ao recente teste realizado pelos norte-americanos de um míssil de alcance médio, o primeiro executado pelo país desde a Guerra Fria. Em uma reunião do Conselho de Segurança, Putin teria dito: “Ordeno os ministérios russos da Defesa e das Relações Exteriores que examinem o nível da ameaça para nosso país pelos atos dos Estados Unidos, e que sejam adotadas medidas exaustivas para preparar uma resposta simétrica”. Por sua vez, os norte-americanos, através do secretário de defesa, Mark Esper, deram a entender que o recente teste com míssil de cruzeiro tinha como objetivo conter o crescente arsenal de mísseis de alcance intermediário da China. Segundo Esper, “nós queremos assegurar que podemos deter o mau comportamento chinês por meio da nossa própria capacidade de atacar em alcances intermediários”. O lançamento do míssil ocorreu no domingo (18), poucos dias após ter expirado, em 2 de agosto, o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário entre os EUA e a Rússia.

– A Força Aérea Portuguesa assinou contrato de compra de cinco aeronaves KC-390 da Embraer. Segundo o Itamaraty, é um passo na internacionalização do setor aeronáutico brasileiro e o ingresso de produto brasileiro de altíssima tecnologia e de aplicação civil e militar no mercado internacional.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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