Notas Internacionais

por Ana Prestes

16 de maio de 2019, 12h11

15M e visita de Bolsonaro aos EUA repercutem na imprensa internacional

Ana Prestes: “Representantes do ‘World Affairs Council’ revelam que o governo brasileiro teria montado uma premiação a ser recebida por Bolsonaro em uma atitude de autoconvite”

– O Brasil está na imprensa internacional nesta quinta-feira (16) de duas formas. Uma pelas mobilizações de rua de quarta (15) contra os cortes na educação e outra pela desastrosa visita de Bolsonaro aos EUA. A viagem montada com fins de desviar a atenção das polêmicas criadas com a possível ida de Bolsonaro a Nova Iorque já começou a demonstrar suas fissuras, quando vários veículos de imprensa trazem notícias de vereadores de Dallas assinando carta contra a visita do presidente brasileiro, prefeito da cidade se esquivando de recebê-lo ou participar de atividades com ele, assessoria do ex-presidente Bush se dizendo surpresa com visita e até representantes do “World Affairs Council” revelando que o governo brasileiro teria montado uma premiação a ser recebida por Bolsonaro em uma atitude de autoconvite. Segundo matérias da imprensa, o tom de irrelevância da visita é revelada na “agenda” que Bolsonaro manteve com Bush tratando da eleição na Argentina! Surreal.

– Por falar em Argentina, segundo dados da imprensa de quarta (15), a piora na balança comercial do país que hoje é governado por quem derrotou o kirchnerismo foi o principal responsável pela queda do saldo positivo do comércio exterior brasileiro no primeiro quadrimestre de 2019. Segundo a FGV, o saldo foi de 16,4 bilhões enquanto no ano passado (mesmo período) foi de 18,2 bilhões. Também houve perdas no comércio com a União Europeia e a China, mas houve ganhos com EUA e Oriente Médio.

– Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente, também foram aos EUA esta semana. Aliás, eles foram para Nova Iorque para uma série de eventos que já estavam previstos para tratar sobre o Brasil e no contexto dos quais Bolsonaro receberia a homenagem que gerou tanta polêmica e acabou provocando um desvio de rota para o Texas. Alcolumbre falou em uma reunião promovida pelo “Bank of America” e a Câmara de Comércio Brasil-EUA e Maia falou no “9th Brazil and the World Economy”, em Nova Iorque. Aos empresários presentes ele disse: “Nós voltamos a fazer campanha contra a fome no final do ano passado, ninguém deu bola para isso, mas o Brasil tinha saído dessa agenda há alguns anos” e complementou: “A gente está com o risco de voltar, segundo um organismo da ONU, a participar de ambientes que o nosso país havia saído”. E ainda concluiu dizendo que se a PEC do Teto não for revertida, o Brasil pode entrar em “colapso social”. Ambos participaram na quarta (15) do “Lide Brazilian Investment Forum”.

– Um dos termômetros para a elevação do grau de tensão entre EUA e Irã tem sido o Iraque. Na semana passada o secretário de Estado Mike Pompeo cancelou em cima da hora uma reunião com A. Merkel, em Berlim, para ir às pressas a Bagdad. Esta semana, alemães e holandeses suspenderam as atividades de seus militares presentes no Iraque. Os EUA alegam que o Irã pode atacar a qualquer momento suas tropas posicionadas no Iraque. Na quarta (15), funcionários da embaixada dos EUA em Bagdad e do consulado em Erbil foram orientados a deixar as instalações.

– Analistas internacionais têm comentado que duas pautas que estiveram nas campanhas para o Parlamento Europeu em 2014 desapareceram das agendas dos partidos de extrema direita: a saída do bloco e o rompimento com a zona do euro.

– Os EUA cancelaram todos os seus voos comerciais para a Venezuela. Na quarta (15), o Departamento de Transportes dos EUA ordenou a suspensão de todos os voos comerciais de passageiros e de carga entre o país e a Venezuela. O argumento é de que há “agitação” e “violência” nos aeroportos venezuelanos.

– Ainda sobre a Venezuela, há notícias importantes de que conversações entre governo e oposição estão ocorrendo esta semana em Oslo, na Noruega.

– Segundo a ONU, o número de deslocados por desastres naturais de natureza climática está superando o número de deslocados por conflitos no planeta. Em 2016 foram mais de 24 milhões de pessoas, de 118 países e territórios, três vezes mais do que os deslocados por guerras e conflitos. A região do Pacífico, de onde o secretário-geral Guterres falou na quarta (15) sobre o tema, é uma das mais atingidas com o risco de desaparecimento de terras com a elevação do nível do mar.

– Uma entrevista publicada na quarta (15) pelo jornal “Suddeutsche Zeitung”, em parceria com o “The Guardian”, com a chanceler alemã Angela Merkel traz as seguintes afirmações: “Eles (China, Rússia e EUA) estão nos forçando, a todo momento, a encontrar posições comuns. Isso geralmente é difícil dados nossos diferentes interesses. Mas nós temos que conseguir chegar a isso – pense, por exemplo, em nossa política relativa ao conflito na Ucrânia”. Segundo ela, uma das maiores preocupações atualmente na Alemanha é gerar riqueza econômica suficiente para enfrentar a crise ambiental. O plano é fazer da Alemanha um país neutro em carbono até 2050.

– Enquanto escrevo as notas, há notícias de que a Arábia Saudita está bombardeando a capital do Iêmen, Sanaa. O bombardeio ocorre 48 horas após os huthis terem assumido a autoria dos ataques a um oleduto saudita. O ataque se dá no contexto da elevação do nível de tensão entre EUA e seus aliados contra o Irã, que apoia os huthis no Iêmen.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum