Notas Internacionais

por Ana Prestes

27 de maio de 2019, 12h08

Noruega sedia nova rodada de negociações entre governo e oposição da Venezuela

Ana Prestes revela que Nicolás Maduro e Juan Guaidó já confirmaram o envio de representantes

– Segundo nota do Itamaraty, a V reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), realizada no último dia 23, com a presença do vice-presidente Hamilton Mourão, concluiu pela “excessiva concentração das exportações brasileiras para a China em um grupo restrito de produtos primários” e foi reafirmado um compromisso bilateral de “criar condições para a diversificação e o aumento do valor agregado dos produtos vendidos pelo Brasil para a China. O Brasil solicitou celeridade nos processos de certificação de aeronaves”. De 2004 (data em que foi criada a Cosban) até 2018, o comércio bilateral Brasil-China cresceu 11 vezes, de 9 para 99 bilhões de dólares.

– Ainda na China, na última sexta (24), Mourão foi recebido no Palácio do Povo, em Pequim, pelo presidente Xi Jiping, que disse ao general: “Os dois lados devem continuar se vendo como parceiros e oportunidades para o seu próprio desenvolvimento. Devem respeitar-se, apoiar-se, ter confiança um no outro e construir as relações China-Brasil como um modelo de solidariedade e cooperação entre os países em desenvolvimento”. Há dois pontos sensíveis que permanecem após visita de Mourão, se o Brasil limitará o papel da Huawei nas redes 5G do país, seguindo os EUA, e se o Brasil vai aderir formalmente (via memorando de entendimento) à Nova Rota da Seda, a exemplo de outros 14 países latino-americanos.

– Depois de muito questionamento por parte do governo brasileiro e disse me disse, o governo dos EUA reiterou na Reunião Ministerial do Conselho da OCDE, do dia 23 de maio, em Paris, seu apoio ao pedido de adesão do Brasil à organização, como membro pleno. Todos os demais integrantes da OCDE já apoiam, segundo o Itamaraty.

– E a última semana terminou com a renúncia da primeira ministra britânica e pretensa líder do Brexit, Theresa May. O anúncio foi feito na última sexta (24), três anos após outro premier, David Cameron, também haver renunciando por causa do Brexit, na época ele caiu após o referendo aprovar a saída da União Europeia. A renúncia efetiva de May passa a valer em 7 de junho. Ela ainda será a anfitriã de Trump entre 3 e 5 de junho. Em seu pronunciamento em frente ao número 10 da Downing Street, em Londres, May disse que “ocupar este cargo foi a maior honra da minha vida. Fui a segunda mulher a ocupar o cargo, mas não serei a última”.

– A renúncia de May abriu passagem para Boris Johnson, ex-prefeito de Londres entre 2008 e 2016, um dos maiores defensores do Brexit dentro do Partido Conservador. Tendo sido um dos maiores garotos propaganda do Brexit durante o referendo, após sua aprovação chegou a defender a saída “a seco” ou “dura”, prescindindo de um acordo de saída com a UE. Johnson chegou a ser ministro das relações exteriores do RU durante o mandato de May, mas deixou o cargo em 2018 por discordar do rumo que as negociações de May com a UE estavam tomando. A ver se o partido conservador o escolherá para apresentar ao Parlamento, que deverá aprovar o novo primeiro-ministro. Estão no páreo também Jeremy Hunt (atual ministro das relações exteriores), Michael Gove (ministro do meio ambiente) e o deputado Dominic Raab (ex-ministro da pasta do Brexit). Os conservadores devem levar o novo primeiro-ministro, pois ainda têm maioria no Congresso em aliança com o DUP, partido norte-irlandês.

– A renúncia de May se deu em meio às eleições para o Parlamento Europeu dos últimos dias. O Partido do Brexit, de acordo com as apurações, está liderando, tendo obtido a maioria dos votos, à frente dos liberais democratas, trabalhistas, verdes e conservadores, nesta ordem.

– O Parlamento Europeu passou por eleições nos últimos dias. A casa legislativa existe desde 1979 e desde então os cidadãos de todos os países da União Europeia elegem os representantes (hoje 751) que vão ser a voz de 28 Estados-membros e 512 milhões de habitantes. O Parlamento Europeu possui três sedes de funcionamento, em Bruxelas, Estrasburgo e Luxemburgo. Um fenômeno notado nos últimos anos é o aumento do número de parlamentares populistas de direita e eurocéticos em sua composição. Em 2009, eram 11%; em 2014, passaram para 20% das cadeiras e enquanto escrevo está sendo fechado o cenário do recém-eleito Parlamento Europeu.

– As notícias que começam a ser difundidas apontam para uma maior participação de votantes para o Parlamento Europeu em 2019, com uma taxa de 51%. Os partidos de centro perderam a maioria absoluta, liberais e verdes aumentaram sua participação, assim como os grupos de extrema direita e os eurocéticos, em especial pelas vitórias na Itália e na França. Por décadas o Partido Popular Europeu (EPP) de centro-direita e o Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (S&D), ambos pró-europeus, formaram mais de 50% das cadeiras, fato que não ocorreu em 2019. Precisarão se aliar para terem maioria. Já o Aliança de Democratas e Liberais pela Europa (ALDE), também de centro e pró-europeu, cresceu em número de cadeiras. Outros que surpreenderam em 2019 foram os verdes do Partido Verde Europeu, que aumentaram em 3% suas cadeiras, foram fortes na Alemanha (segunda força) e também na Finlândia, França e Portugal. Os eurocéticos vieram divididos em três grupos: o ECR, o EFDD e o ENF, respectivamente, Conservadores e Reformistas Europeus, Europa da Liberdade e da Democracia Direta e Europa das Nações e da Liberdade. Em seu conjunto, cresceram cerca de 10% de 2014 para cá. Liderados por Salvini, da Itália, eles querem criar um bloco nacionalista no Parlamento Europeu chamado Aliança Europeia dos Povos e das Nações, podendo vir a se tornar a segunda força no Parlamento Europeu.

– Em meio à elevação da tensão com o Irã, os EUA prometeram enviar cerca de 1,5 mil soldados ao Oriente Médio, Trump disse que são “poucos mas especiais”. No começo do mês os americanos já haviam enviado porta-aviões, bombardeiros e mísseis Patriot ao Oriente Médio.

– As negociações entre Mercosul e União Europeia para um acordo comercial pareciam avançar nas últimas semanas quando um comunicado do ministro da Agricultura francês chegou com os seguintes dizeres: “A França não ratificará nenhum acordo que prejudique os interesses dos agricultores e consumidores, as exigências de qualidade sanitária e alimentar das normas europeias e os nossos engajamentos ambientais do Acordo de Paris”. As negociações já duram 20 anos e o acordo nunca pareceu tão próximo.

– Governo e oposição venezuelana voltarão a conversar em Oslo, na Noruega, nos próximos dias. Maduro e Guaidó confirmaram o envio de representantes.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum