Notas Internacionais

por Ana Prestes

12 de fevereiro de 2019, 12h17

Nos EUA, acordo de democratas e republicanos deve evitar nova paralisação do governo Trump

A oposição a Trump aceitou liberar US$ 1.375 bilhão para a confecção de cercas e outras medidas de proteção na fronteira. O valor está bem abaixo dos quase 6 bilhões solicitados por Trump. Leia esta e outras notas na coluna da socióloga Ana Prestes

– O governo brasileiro vai participar de um encontro sobre Oriente Médio que está gerando bastante polêmica e será realizado na Polônia com a organização dos EUA nos próximos dias 13 e 14. A reunião ocorre às margens da ONU e o Irã não está convidado. Ocorre em um momento de elevação da tensão entre Irã e Israel no Oriente Médio. A participação do chanceler brasileiro Ernesto Araújo se dá na vertente de um alinhamento cada vez maior à política externa dos EUA.

– Democratas e republicanos parecem ter chegado a um acordo sobre as medidas a serem tomadas na fronteira sul e que evitará uma nova paralisação do governo. A oposição a Trump aceitou liberar US$ 1.375 bilhão para a confecção de cercas e outras medidas de proteção na fronteira. O valor está bem abaixo dos quase 6 bilhões solicitados por Trump.

– Evento anual, a Conferência de Segurança de Munique em sua 55ª edição (2019) receberá 40 chefes de Estado, como nunca antes. Conhecida como a “Davos da política de segurança”, a conferência será entre os dias 14 e 15 de fevereiro e deverá tratar do fim do INF (tratado de armas nucleares de médio alcance entre Rússia e EUA), Brexit, Síria, Irã, Venezuela e outros temas da agenda imperialista de segurança. A conferência surgiu em 1963 entre membros da Otan para discutir temas da Guerra Fria.

– Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV em São Paulo, disse em artigo no El País de ontem (11): “a queda de braço entre Hamilton Mourão e os antiglobalistas deverá marcar a estratégia do governo Bolsonaro. Resta saber se Mourão sairá vitorioso e conseguirá salvar a política externa brasileira dos próximos anos”.

– O governo brasileiro reconheceu ontem (11) a representante do autoproclamado governo interino da Venezuela. A “embaixadora”, María Teresa Belandria, inaugurou sua ação desde o Brasil buscando a instalação de um centro de distribuição de “ajuda humanitária” para venezuelanos em Roraima, na fronteira entre Brasil e Venezuela. Por óbvio, a “embaixadora” não poderá despachar do prédio oficial da Embaixada da Venezuela no Brasil, localizada em Brasília, pois ali se encontram os legítimos representantes diplomáticos do governo venezuelano de Nicolás Maduro.

– Por falar em “ajuda humanitária”, circula na internet uma entrevista com o linguista norte-americano Noam Chomsky para a TeleSur em 2018 sobre o tema. Segundo ele, “quase todo ato agressivo realizado por uma potência está justificado: desde o ponto de vista do agressor é uma ajuda humanitária, mas não pelo ponto de vista das vítimas”. Chomsky cita os exemplos da Sérvia (1999) e da Líbia (2011).

– Começaram no domingo (10) e devem seguir até a sexta-feira (15) os exercícios militares anunciados por Maduro em 27 de janeiro. O governo venezuelano se refere aos exercícios como “as manobras mais importantes da história da Venezuela”.

– O presidente venezuelano Nicolás Maduro enviou carta ao secretário geral da Opep, Mohammad Barkindo, pedindo auxílio contra as sanções impostas pelo governo americano ao petróleo venezuelano. A Opep ainda não emitiu comunicado oficial e especula-se que poderá se omitir, como o fez no ano passado quando os EUA impuseram sanções ao petróleo iraniano.

– A Argentina pode aprovar uma legislação que permite um processo mais rápido de expulsão de imigrantes do país. Segundo a ministra de segurança, Patricia Bullrich, a intenção é a “rápida expulsão daqueles que cometem delito”, mesmo aqueles que têm filhos no país, o que pode levar à separação de famílias. Hoje a Constituição argentina protege quem forma família no país de ser expulso. A ministra se apoia no dado de que 20% da população carcerária do país é de estrangeiros, mas ela omite que apenas 6% são sentenciados. Senador peronista Miguel Pichetto disse recentemente: “é preciso expulsar a chutes os estrangeiros que delinquem”.

– O primeiro ministro húngaro Viktor Orban anunciou um pacote de medidas em seu discurso anual do Estado da Nação em que pretende elevar a taxa de natalidade na Hungria. Mulheres húngaras terão facilidades em empréstimos e isenção de impostos, podendo ser amplamente anistiadas das dívidas caso tenham mais de três filhos. Orban é um dos maiores xenófobos hoje a frente de um governo no mundo e implementa uma política agressiva em relação a imigrantes.

– 52 dos 55 países da África já aderiram ao projeto de Zona Livre Comércio Continental (AFCFTA). Um mercado que poderá contar com 1 bilhão e 200 milhões de pessoas e sem barreiras aduaneiras. O anúncio foi feito no domingo passado (10) na cúpula de chefes de Estado e Governo da União Africana celebrada em Adis Ababa, capital da Etiópia. Faltam ainda a Eritreia, o Benin e a Nigéria. Dos países que já aderiram, 18 já ratificaram a adesão em seus parlamentos.

– Este mês de fevereiro de 2019 será marcado pelas análises sobre os 40 anos da Revolução Islâmica do Irã. Foi no dia 1º de fevereiro de 1970 que o Aiatolá Khomeini foi recebido por uma massa de 5 milhões de pessoas em Teerã. Em março de 79 um referendo decidiu que o Irã deveria tornar-se uma República Islâmica. Em dezembro do mesmo ano a aprovação em referendo da nova Constituição colocaria um líder religioso como sua autoridade máxima.

– Coletes amarelos foram às ruas pelo 13º sábado consecutivo no último dia 9. Um grupo de 19 artistas pintou, no nordeste de Paris, um muro de 300 metros de comprimento inspirado nos meses de protestos dos coletes amarelos. No último domingo (10), parte dos manifestantes das jornadas dos coletes amarelos iniciariam duas marchas, com pontos de origens distintas, que deverão chegar em Avignon no dia 19 de fevereiro e seguirem juntas até Paris no dia 17 de março.

– Começa hoje na Espanha o julgamento de 12 dirigentes independentistas da Catalunha que participaram da tentativa de separação da Catalunha em 2017. O julgamento é histórico e poderá durar até três meses. Carles Puigdemont, que chegou a ser proclamado presidente catalão, não está entre os julgados por se encontrar exilado na Bélgica. A Catalunha realizou em 1º de outubro de 2017 um referendo de autodeterminação e proclamaram uma República Independente em 27 de outubro. Como reação, o governo espanhol dirigido na época por Mariano Rajoy destituiu o governo de Puigdemon, dissolveu o parlamento catalão e suspendeu a autonomia da região.


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