Notas Internacionais

por Ana Prestes

06 de agosto de 2019, 11h24

Trump cumpre promessa e impõe bloqueio econômico à Venezuela

Ana Prestes: “A ação coloca a Venezuela sob embargo econômico de modo semelhante a Cuba, Coreia do Norte, Irã e Síria”

Donald Trump (Foto: Reprodução)

– Trump cumpriu as ameaças dos últimos dias e bloqueou a Venezuela economicamente. A determinação é de congelamento de todos os bens do governo venezuelano nos EUA e proibição de transações de empresas e indivíduos com o país. Quem fizer comércio com a Venezuela estará sujeito a sanções. A ação coloca a Venezuela sob embargo econômico de modo semelhante a Cuba, Coreia do Norte, Irã e Síria. A ordem executiva assinada por Trump diz: “Todas as propriedades e interesses em propriedades do governo da Venezuela que estão nos Estados Unidos (…) estão bloqueados e não podem ser transferidos, pagos, exportados, retirados ou de outra forma negociados”.

– E a China se vingou. Em resposta à surpreendente nova sobretaxação de Donald Trump sobre 300 bilhões em produtos chineses, o gigante asiático dobrou a aposta. Primeiro deixou sua moeda ir a 7,00 yuans por dólar, maior desvalorização em uma década, e depois fez com que as empresas do país suspendessem a compra de produtos agrícolas dos EUA. O governo chinês também não descarta a possibilidade de impor tarifas adicionais aos produtos agrícolas que vêm do país norte-americano. O Ministério do Comércio chinês informou que as novas tarifas americanas representam uma “séria violação” da negociação travada entre as duas maiores economias do mundo. A medida chinesa atinge em cheio os agricultores americanos.

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– Diante da elevação para o nível 2 (são 4) de alerta de cuidado aos cidadãos dos EUA que viajam para o Uruguai por conta da “criminalidade”, a chancelaria uruguaia respondeu na mesma moeda. Na nota, o governo uruguaio diz que os compatriotas que viajam aos EUA devem tomar “precauções diante da crescente violência indiscriminada, em sua maior parte por crimes e ódio, entre os quais o racismo e a discriminação, que custaram a vida a mais de 250 pessoas nos primeiros sete meses deste ano”.

– Em meio ao Itaipu Gate, o Senado paraguaio autorizou o ingresso no país de instrutores do Grupo de Operações Especiais dos EUA. Foi convocada uma sessão extra da casa legislativa, com ponto único de votação sobre a autorização do ingresso de dez instrutores do 20º Grupo de Operações Especiais dos EUA. Aprovado pela maioria, somente os parlamentares da Frente Guasú se pronunciaram contra e deixaram o plenário. Os oficiais americanos vêm no bojo de um acordo de cooperação que prevê um JCET – Joint Combined Exchange Training – e estarão no país entre 11 de agosto e 11 de setembro. O objetivo oficial do intercâmbio é formar membros das Forças Especiais do Paraguai em estratégias de combate contra o crime organizado. No dia 1º de agosto, via sua conta no Twitter, o embaixador dos EUA no Paraguai, Lee McClenny, escreveu uma nota de apoio ao presidente Mario Abdo Benitez na condução da crise do acordo secreto sobre Itaipu com o Brasil. Segundo o embaixador, “aplaudimos a prudência dos líderes para encontrar uma saída viável. Respaldamos os esforços do presidente Marito Abdo a favor da transparência. Somos aliados…”,

– Bolsonaro atacou Cuba nos últimos dias. No contexto do lançamento do programa “Médicos para o Brasil”, o presidente destemperado disse que o envio de médicos cubanos para o Brasil visava “formar núcleos de guerrilhas” e provocou dizendo que se a medicina cubana fosse realmente boa, teria conseguido salvar a vida do ex-presidente Hugo Chávez, em um frontal desrespeito à memória do ex-presidente venezuelano e aos profissionais de saúde cubanos. Frente a isso, tanto o chanceler cubano Bruno Rodríguez, quanto o presidente Díaz Canel revidaram os acintes. Rodríguez disse que Bolsonaro “reconhece ser racista, sexista, homofóbico e admirador da ditadura militar. Deveria se ocupar da corrupção em sua família, governo e sistema judiciário” e acrescenta que os profissionais de saúde cubanos fizeram mais pelo Brasil que o atual governo. Canel disse que as palavras de Bolsonaro são calúnias contra Cuba e o programa Mais Médicos e que Bolsonaro jamais poderá enganar o povo brasileiro, que bem sabe da “nobreza e humanidade da cooperação médica cubana”. As declarações tiveram resposta do presidente brasileiro ao estilo de “a mamata acabou” e que o governo cubano lucrava enquanto seus médicos viviam no Brasil em “condições análogas à escravidão”.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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