Notas Internacionais

por Ana Prestes

03 de março de 2020, 11h56

“Um dia o povo brasileiro retomará seu destino democrático”, diz prefeita de Paris

Anne Hidalgo discursou durante entrega de título de cidadão honorário a Lula na capital francesa

Lula e Anne Hidalgo (Reprodução/Twitter)

Lula recebeu ontem (2) na França o Título de Cidadão Honorário de Paris. Menos de 20 pessoas possuem o título que foi criado em 2001. A honraria, “atribuída excepcionalmente para pessoas que se destacaram particularmente na defesa dos direitos humanos” aprovada pelo Conseil de Paris em outubro passado foi entregue pela prefeita da cidade, Anne Hidalgo que em seu discurso lembrou ao presidente que aqueles mesmos salões da Prefeitura de Paris haviam assistido a momentos históricos da república francesa. Ao fim de seu discurso, Hidalgo que está em campanha por sua reeleição para a prefeitura, disse: “um dia o povo brasileiro retomará seu destino democrático”. De lá, Lula parte para uma turnê europeia dedicada à luta contra a pobreza e pelos direitos humanos.

Netanyahu venceu a eleição de ontem (2) para o parlamento israelense, mas não o suficiente para formar governo. Seu partido, o Likud conquistou 36 cadeiras e junto a aliados conquistou 59, duas a menos do necessário para fazer o premiê. O partido de seu oponente Benny Gantz, Azul e Branco, fez 32 cadeiras. Agora Netanyahu precisará costurar com outros partidos para garantir a cadeira de premiê. Sua vitória, no entanto, é evidente. O que a princípio pareceu fraqueza pela forma com que “quase perdeu” as duas primeiras eleições, ao vencer a terceira demonstrou resistência e resiliência. Sua vitória se dá em um contexto de aprofundamento da ocupação sobre os territórios palestinos e uma iminente expulsão de Jerusalém caso prospere o “Acordo do Século” anunciado por Netanyahu e Trump. Mesmo com as objeções da ONU, da Liga Árabe, de parte do Parlamento Europeu, não há sinais de que vão conseguir parar a ocupação.

Amy Klobuchar também desistiu da pré-candidatura e se juntou a Pete Buttigieg no apoio a Biden. A decisão veio antes da Superterça de hoje (3) quando 14 estados votam nas prévias. Esse bloco dos moderados com Biden é uma estratégia para que Sanders não leve a maioria simples dos delegados eleitos. Os eleitos delegados participarão da Convenção Nacional do Partido Democrata em julho para definir o candidato democrata. O Estado da Califórnia pode fazer diferença pró-Sanders, por ser muito populoso e onde ele tem bastante força. No seu discurso de domingo (1) para cerca de 15 mil pessoas na Califórnia, Sanders disse: “deixem me dizer uma coisa que vocês já sabem, o candidato que ganhar na Califórnia tem uma excelente chance de ganhar a nominação Democrata”.

O chanceler cubano, Bruno Rodriguez, se pronunciou ontem (2) sobre a suspensão das missões médicas cubanas em vários países da América Latina e como isso afeta a 67 milhões de pessoas ao menos que ficarão desassistidas. O chanceler fez a denúncia também ao alto representante da OMS, Thedros Adhanom Ghebreyerus durante a 43ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU na última semana. Hoje Cuba possui cerca de 30 mil profissionais de saúde em 65 países de vários continentes, apesar da forte pressão de Trump para descrédito dos profissionais e encerramento dos contratos. Brasil, Bolívia e Equador são os mais atingidos na América Latina hoje.

No Chile, o presidente Sebastian Piñera armou um evento para promulgar uma nova lei sobre feminicídio e conseguiu dizer essa frase: “as vezes não é só a vontade dos homens de abusar, mas também da posição das mulheres ao serem abusadas”. O presidente coloca a mesma carga de responsabilidade para abusadas e abusadores em um gesto de total naturalização da agressão machista. A lei, é importante que se diga, foi proposta por duas deputadas comunistas, Camilla Vallejo e Karol Cariola e foi batizada como Lei Gabriela em homenagem a uma jovem assassinada junto com sua mãe por um ex-parceiro que não aceitou o fim do relacionamento. A menos de uma semana do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a reação das feministas e dos movimento sociais chilenos foi forte. A coordenação do 8M chileno disse: “que descarado nos dizer que as mulheres temos vontade de ser abusadas. Ele que crê que o abuso sexual é uma piada para fazer rir seus amigos empresários vem nos dizer que nós buscamos que nos violentem. A culpa não é e nunca terá sido nossa. A culpa é dos que abusam e violentam e da institucionalidade que os ampara. O Estado, os juízes, os policiais e o presidente”.


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