Notas Internacionais

por Ana Prestes

28 de agosto de 2019, 10h52

Venezuela não foi convidada para reunião de países com território na Amazônia

Ana Prestes destaca que chanceler venezuelano foi o primeiro a propor um encontro da Organização do Tratado da Cooperação Amazônica (OTCA), diante da crise ambiental na América do Sul

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

– Bolsonaro recuou e parece ter percebido que não estamos em tempo de rasgar dinheiro. Ele reluta, mas já cogita receber os 20 milhões de dólares de ajuda oferecida pelo G7 para a crise na Amazônia. Há um “porém”: “o senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa”, disse o presidente. Depois foi a vez do porta-voz Otávio Barros dizer que qualquer apoio financeiro vindo do exterior é bem-vindo, desde que a governança dos recursos seja do governo brasileiro. No fim do dia desta terça (27) também foi anunciada a chegada de 10 milhões de libras esterlinas vindas do Reino Unido. Trump também não ficou de fora e deu mais uma tuitada apoiando Bolsonaro e seu “ótimo trabalho para o povo do Brasil”.

– Na volta do G7, Piñera, presidente do Chile, deu uma passadinha no Brasil e se reuniu nesta quarta (28) com Bolsonaro em Brasília.

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– Os presidentes de países com território amazônico devem se reunir no dia 6 de setembro em Letícia, na Colômbia. A Venezuela, que também possui território na Amazônia, não foi convidada. O chanceler da Venezuela foi o primeiro a propor uma reunião da OTCA (Organização do Tratado da Cooperação Amazônica) diante da crise ambiental que atinge Brasil, Bolívia e Paraguai.

– Um relato da reunião entre o FMI e a Frente de Todos na Argentina conta que o fundo demonstrou preocupação com o atual “vazio de poder” do país, e que o candidato Alberto Fernández, e demais interlocutores representantes da Frente, apontaram para o fato de que o acordo com o FMI não melhorou os indicadores econômicos. Desde então, a economia caiu 1,7%, a dívida pública subiu 29 pontos percentuais, o desemprego aumentou 10,1%, a pobreza foi a 32% e a inflação disparou para 53,9%. Ao pedir “garantias” de pagamento da dívida, caso vença as eleições, Fernández teria apontado que não as pode dar por ser ainda um candidato e que qualquer compromisso de pagamento deve vir com renegociação de prazos e sem imposição de metas ou reformas. A Frente de Todos parece ter deixado claro não compactuar da ideia de que “Governo, FMI e oposição estão todos em um mesmo barco”, escreveu Julián Guarino, autor do relato.

– Ainda sobre Argentina e FMI, o próprio Fernández também publicou um comunicado sobre a reunião. Entre outras coisas, o candidato líder das pesquisas disse que ao se dirigir ao representante do FMI, Alejandro Werner, o informou do fato de ser “um advogado educado em uma família cujo pai era um Juiz da Nação, que ensina direito há mais de 30 anos e que cultiva o respeito às normas”, diante disso, não entende como o FMI “tenha atuado e ainda atue com aberta violação do artigo VI da Ata Constitutiva do fundo, cujo primeiro parágrafo diz que: nenhum membro poderá utilizar os recursos gerais do fundo para fazer frente a uma fuga considerável ou contínua de capitais”.

– Macri parece já reconhecer uma possível derrota. Na terça (27), em um evento da Coninagro (Confederação Intercooperativa Agropecuária Limitada), apontou para a necessidade de sustentar algumas reformas iniciadas por sua gestão e disse que se lhe couber ser oposição, apoiará algumas medidas do próximo governo. Admitiu também frustração nos últimos quatro anos em alguns aspectos. As palavras de Macri vieram um dia após a divulgação de mais uma pesquisa de intenções de votos, realizada pela consultoria Gustavo Córdoba e Associados. Segundo o levantamento, sem contar os votos em branco, Fernánez e Kirchner têm 53,2% das intenções de voto e Macri e Picheto estão com 32,1%.

– Outra pesquisa de intenções de voto, mas na Bolívia, foi divulgada esta semana e aponta uma vantagem de 17,5% de Evo em relação a Carlos Mesa. Evo aparece com 40,8% das intenções, Mesa com 23,3% e o candidato da extrema direita, Óscar Ortiz, com 10,8. Evo enfrenta, neste momento, uma grave crise com os incêndios florestais, que também atingiram o Paraguai e o Brasil. Nesta terça (27), ele se integrou uma vez mais ao Gabinete de Crise Ambiental, que está funcionando na região de Chiquitania, no estado de Santa Cruz. Dados do governo apontam que quatro mil servidores, voluntários e brigadistas, foram mobilizados em todo o país para atender à crise, além de cinco aeronaves e mais de 200 veículos. A informação de terça era de que dos cerca de oito mil focos de incêndio, restavam 1.036. Com o avião Supertanker, aviões de pequeno porte e helicópteros foram utilizados 1.892.320 litros de água.

– O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu a Elizabeth II a suspensão do Parlamento até 14 de outubro. Caso isso ocorra, fica exíguo o tempo para qualquer medida parlamentar que impeça um Brexit duro, abrupto e sem acordo em 31 de outubro.

– E o dólar, na terça (27), foi a R$ 4,19. Maior cotação em 11 meses.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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