sábado, 26 set 2020
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É preciso criar novos meios para fins transformadores

É preciso parar de dizer que “os fins justificam os meios”. Esta tese vem sendo repetida na direita, no centro e na esquerda.

Ela é, ao fundo e ao cabo, a autojustificativa para a corrupção e os caminhos tortos em nome do “projeto maior”. Para a violência física ou simbólica.

Caixa 2, concessões, tergiversações, recuos programáticos, alianças inexplicáveis…tudo e mais entra na conta de soma zero do sofisma “os fins justificam os meios”.

E imersos na caverna de Platão, já não se enxerga que os meios conspurcaram os fins e os inviabilizaram.

O que sobra é contar as migalhas que começa sempre com o “pelo menos…”.

Pelo menos é o que nos resta.

Em um país de gênese espoliadora, em uma história que aninhou o colonizador em suas entranhas, em uma trajetória em que o “intimismo à sombra do poder” (Carlos Nelson Coutinho) e a conciliação foram a linha-guia.

Nesta curvatura do mal menor, da acomodação e da burocratização fomos perdendo o encantamento de gerações inteiras com o exercício pela política.

Fomos abrindo espaço para o niilismo e o individualismo. Fomos ficando tristemente iguais, na mesmice da repetição da forma de exercer o poder, nos espasmos permitidos para o “pelo menos…”.

É preciso criar novos meios para fins transformadores. Já tem gente fazendo isto. Temos que resplandecer estes novos caminhos.

Olhar para a luz e não para as sombras refletidas na caverna (bolha) de nosso tempo.

Olhar para a possibilidade de uma nova política – relação na polis.

Um tempo em que a famosa frase de Che Guevara seja prática e não apenas um slogan para enfeitar paredes.

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Andrea Caldas
Andrea Caldas
Professora da Universidade Federal do Paraná, pesquisadora de políticas educacionais e militante da área da educação. Doutora em Educação, atua na área de gestão educacional, trabalho docente e movimentos sociais. Coordenadora do Fórum Estadual de Educação, no Paraná. É colunista da Revista Fórum.