Andrea Caldas

política e educação

15 de setembro de 2019, 13h08

Legalidade (o filme) é Gramsci na veia

Quando luzes se acenderam, eu estava em lágrimas, lembrando do meu pai, que se alistou na guerrilha urbana da legalidade. Ao meu lado, muitas senhoras e senhores, com lágrimas nos olhos diziam: "eu fiz parte deste momento".

Foto: Agência Senado

O circuito nacional começa a projetar o premiado filme de Zeca Brito sobre a campanha da legalidade, conduzida por Leonel Brizola em 1961.

Eu assisti ao filme, em Porto Alegre, em uma sessão matinê.

O enredo começa meio duro, com interpretações que pareciam namorar com o clichê.
A trama parte do cenário da boemia porto-alegrense.

É quando aparece o jovem Leonel, belissimamente interpretado por Leonardo Machado (in memorian).
E por ele e com ele se discorre a cena nacional.

Cenas de hesitações, de medos, mas sobretudo, de coragens.
Leonel Brizola encarna o espírito gaúcho da flâmula:
“mostremos valor, constância, |
| nesta ímpia e injusta guerra, |
| sirvam nossas façanhas |
| de modelo |
| a toda terra.”

E ele se vale desta disposição para convocar o povo às ruas, com armas nas mãos para garantir a posse do vice eleito.

Leonel Brizola assume as transmissões da Rádio Guaíba para falar ao povo.
E o povo responde.

O filme Legalidade é uma lição do que podíamos ter sido não só em 61.
Ele é Gramsci na veia.
E fala de disputa de corações e mentes.

Foi por conta desta disputa que os sargentos do Terceiro Exército deixaram de cumprir as ordens do golpismo.
Foi por conta da galhardia que o Palácio de Piratini não foi alvejado, como estava nos planos.

Brizola combateu a força autoritária com a mobilização popular.
Algo que foi, talvez, negligenciado por João Goulart quando assentiu com a conciliação com as forças que o deporiam depois.

Ao final, o personagem Brizola assevera que vale sempre a pena lutar por um ideal, mesmo que se perca a batalha.


Quando luzes se acenderam, eu estava em lágrimas, lembrando do meu pai, que se alistou na guerrilha urbana da legalidade.
Ao meu lado, muitas senhoras e senhores, com lágrimas nos olhos diziam: “eu fiz parte deste momento”.

E todos nós, jovens e velhos, aplaudimos o filme e saímos abraçados e irmanados, em uma sessão de cinema, em Porto Alegre.

“Avante brasileiros de pé
Unidos pela liberdade
Marchemos todos juntos
Com a bandeira que prega a lealdade

Protesta contra o tirano
E recusa a traição
Que um povo só é bem grande
Se for livre sua Nação.”

(Hino da Legalidade)


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