Andrea Caldas

política e educação

10 de maio de 2019, 06h00

O governo Bolsonaro é o exterminador do futuro: é pior do que qualquer ditadura que já vivemos

Para Andrea Caldas, o governo Bolsonaro nega as construções democráticas pós 88 e renega até mesmo o que as ditaduras construíram, contraditoriamente. É a negação explícita de qualquer compromisso com a educação

A história educacional do nosso país é marcada mais por rupturas institucionais do que por continuidades democráticas.

Depois de uma longa noite colonial, em que a educação nacional foi deixada ao largo das preocupações, tivemos um arroubo nos anos 30, rapidamente sucedido pela ditadura do Estado Novo.

Mas, mesmo lá, havia uma preocupação – autoritária e centralizadora – com um projeto de educação nacional.

Foram as Reformas Capanema que deram feição à educação nacional adaptada a um novo mercado.

E assim ocorreu, também na ditadura civil-militar de 64 que, de forma autoritária, novamente, conformou um modelo de educação profissionalizante e construiu a pós-graduação no país.

O governo Bolsonaro é a antítese de tudo isto.

Nega as construções democráticas pós 88 e renega até mesmo o que as ditaduras construíram, contraditoriamente.

O governo Bolsonaro é a negação explícita de qualquer compromisso com a educação.

Nem para o Mercado, nem para a nação.

Soma personalidades sem qualquer tino administrativo com recalques educacionais de alunos fracassados.

Não domina a técnica, não articula o bom português e se orgulha da ignorância.

Não se trata mais de haver uma disputa entre educação para o Mercado ou para a cidadania.

Não há nenhum projeto para a educação, neste governo.

E isso só pode ocorrer porque a elite nacional que empresta seu apoio abdicou de qualquer projeto de país.

Nos venderam. Venderam as gerações e o futuro.

Não há projeto a disputar.

Há uma ausência de preocupação.

Há uma lacuna de temporalidade histórica.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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