Benedita da Silva

06 de setembro de 2019, 18h39

O que as pesquisas estão nos dizendo?

Benedita da Silva: "A onda neofascista de Bolsonaro está rapidamente perdendo força por fora e sendo corroída por dentro"

Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A última semana de agosto foi rica em informações sobre o estado de espírito do povo com o (des) governo de Bolsonaro. Se este não vivesse no mundo virtual de suas fake news, estaria agora seriamente preocupado com o que revelou as pesquisas do Vox Populi e Datafolha.

Os dados que indicam a rejeição de Bolsonaro são praticamente iguais, em ambas as pesquisas. A avaliação do eleitor captada pelo Vox Populi e o Datafolha são, respectivamente, “ruim e péssimo”, 40% e 38% e “bom e ótimo”, 23% e 29%.

As maiores rejeições a Bolsonaro estão no Nordeste, com 52%, entre os pretos, 51%, desempregados, 48%, mulheres, 47%. A sua mais baixa avaliação está entre os mais pobres (até 2 salários mínimos), 22% e os mais jovens (de 16 a 24 anos), com 24%.

E para piorar ainda mais a situação desse mito de “pés de barro”, a aprovação entre os mais ricos (acima de 10 salários mínimos), sua principal base de apoio, despencou de 52% para 37% ao mesmo tempo em que começa a aumentar a rejeição nos seus mais firmes redutos do Sul do país.

Portanto, a onda neofascista de Bolsonaro está rapidamente perdendo força por fora e sendo corroída por dentro. Tudo em seu governo contribuiu para isso, desde suas declarações escatológicas e provocativas e cheias de ódio, até suas medidas de destruição da educação, cultura, saúde, direitos trabalhistas, aposentadoria, cultura, ciência e tecnologia, meio-ambiente, relações exteriores e soberania do Brasil.

Bolsonaro não agiu em momento algum como um presidente eleito pelos brasileiros para governar para os brasileiros. Mas como um preposto indicado pelo Império norte-americano para submeter o Brasil a seus interesses econômicos e sua geopolítica. A orientação explícita de ocupação inconstitucional e predatória das reservas indígenas e dos quilombos, reforçada pela liberação das queimadas da selva amazônica, chocou o mundo e fez acordar grande parte da sociedade brasileira sobre o erro brutal de sua eleição para a Presidência da República.

Cada rebaixamento a mais no nível de vida do povo, com o desemprego, achatamento do salário e o fim da aposentadoria, mais se aviva nele a memória positiva do governo Lula. Não é se admirar que até mesmo entre os eleitores de Bolsonaro, 32% acham Lula o melhor presidente do país.

Com base nas pesquisas anteriores a estas, os apoiadores de Bolsonaro na mídia espalharam a falsa ideia de que seu “piso” seria de 30%, lhe dando total condição para disputar a reeleição. Mas passados apenas dois meses, esse tal “piso” de desfez e caiu para 23% e continuará derretendo até se reduzir ao seu núcleo fascista mais duro, entre 5 a 10%.

Para a volta da democracia e o restabelecimento do Estado de direito, uma das informações mais importantes é de que, segundo o Vox Populi, 53% das pessoas defendem um novo julgamento para Lula, ou seja, reconhecem que ele foi condenado de forma injusta e ilegal pela Lava Jato de “juiz-acusador”, Sérgio Moro.

Lula insiste que não quer simplesmente “anular a sua sentença injusta”. Ele exige um julgamento justo, segundo o devido processo legal. Para ele é uma questão inegociável, de honra pessoal, provar a sua inocência roubada por um julgamento corrompido.

Além disso, Lula sabe que com um julgamento justo, acompanhado por juristas de todo o mundo, o povo ou pelo menos grande parte do povo se convencerá de sua inocência e voltará a confiar nele novamente.

Como meio para dar conteúdo material à esperança do povo em Lula, o PT propõe o Plano Emergencial de Geração de Emprego e Renda, que pode criar 7 milhões de empregos a curto e médio prazo, por meio de investimentos públicos e privados que não pressionam a dívida interna.

Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum