brasilcriativo

20 de fevereiro de 2016, 11h22

Lei Rouanet, antes ela do que nada

Tenho visto algumas criticas repetidas nas redes sociais há algum tempo, algumas até com o tom de denúncia e revolta pelo tipo de artista que teve seu projeto aprovado para captação de recursos.

Aqui vai a opinião de um profissional que trabalha no mercado cultural há 20 anos. Muitos acham absurdo a Maria Bethânia, Luan Santana, Claudia Leite terem seus projetos aprovados pela CNIC (Comissão Nacional de Incentivo à Cultura) muitos por falta de conhecimento acham que o valor do projeto aprovado é o valor já pago a tal artista pelo Governo. Olha que deles só gosto da Bethânia.

Aqui vai o primeiro equivoco, ter o projeto aprovado quer dizer que o artista e seus produtores estão aptos a conseguir recursos junto as empresas interessadas em patrocina-lo e ao fazer isso a empresa pode abater do imposto a ser pago. Não quer dizer que ele já conseguiu.

Bom mas a questão aqui não é essa, o Ministério da Cultura não deve entrar no mérito se um artista tem ou não mais capacidade de arrumar dinheiro para seu projeto. Ele tem que aprovar o projeto que estiver dentro dos critérios da Lei. Se quisermos mudar isso temos muito pela frente, para começar dar mais valor a cultura nesse Brasil.

O problema da Lei Rouanet é dar o poder decisório do destino do dinheiro na mão das empresas, e mais especificamente na mão dos departamentos de marketing. Sim são eles que escolhem qual projeto vai receber os recursos que depois serão abatidos do Imposto de Renda a ser pago pela empresa.

Então me digam, diante do cenário da educação no nosso País, a qualidade dos profissionais formados pelas universidades de marketing, que tipo de artista e projetos eles vão querer apoiar? Qual tipo de artista vai dar mais retorno para a marca? Quem os acionistas vão gostar mais de visitar no camarim? Os meninos da banda Cabinhas do projeto Casa Grande no interior do Ceará ou a Claudia Leite, Miguel Falabella e outros globais? Não aprendemos nas escolas o valor intangível das coisas, aprendemos principalmente como ficar rico, como ter sucesso. Não aprendemos nem ao menos amar a cultura do nosso povo.

Vejam que aqui fala uma pessoa que usou em 20 anos de projetos culturais 7 vezes até hoje os recursos da Lei. Se perguntarem se eu gostaria que ela existisse eu digo que não. Mas contar com a visão das empresas reconhecendo que investir em cultura é uma ação estratégica e estruturante?

Esperemos sentado, enquanto isso a Lei Rouanet é um mecanismo necessário para que um dia quem sabe não precisemos mais dela.

 


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum