Cid Benjamin

18 de fevereiro de 2020, 23h08

Caso Adriano: alguém quer mesmo investigar o miliciano?

Leia na coluna de Cid Benjamin: “Para as investigações, a perícia nos celulares de Adriano é um tesouro”

Adriano Magalhães da Nóbrega - Foto: Reprodução

Diante da atuação inacreditavelmente pusilânime do governador da Bahia, Rui Costa, diante do episódio do assassinato de Adriano da Nóbrega, Bolsonaro está tentando virar o jogo num assunto que poderia ser-lhe muito incômodo.

Tão incômodo, aliás, que ele passou os primeiros dias na muda, esquivando-se do tema.

Afinal, Bolsonaro, sua família e os chefes milicianos são unha e carne.

Mas, agora, o presidente não só acusa o governo petista da Bahia pela inegável queima de arquivo, como já defende a federalização das investigações do caso, para que ele fique nas mãos de Sérgio Moro. É uma medida de precaução e tanto para alguém que tem o rabo preso.

Bolsonaro vai, ainda, mais longe e diz claramente que quer ter o controle da perícia dos 13 celulares encontrados com Adriano.

Vamos ver de perto o que isso significa.

Primeiro: para comprar um celular, a pessoa tem que se identificar e mostrar CPF e atestado de residência. Assim, pode ser identificado quem comprou cada um dos celulares de Adriano. Um primeiro passo importante nas investigações.

Segundo: de posse de um celular (ou apenas de seu número) uma investigação pode saber para que números ele ligou e quando. Da mesma forma, pode-se saber que números ligaram para ele, e quando. Isso traria novas pistas importantes na investigação sobre a vida e atividades de Adriano.

Terceiro: qualquer ligação feita por um celular ou recebida por ele passa por uma torre retransmissora. Assim, basta rastrear o uso dos celulares de Adriano para se saber com razoável precisão por onde ele andava no momento de cada ligação. Caso a ligação tenha sido feita pelo wifi de uma residência ou recebida por seu intermédio, pode-se ter o endereço preciso em que ele estava. Desnecessário mostrar a importância disso.

Quarto: mesmo que os 13 celulares não tenham sido usados, o que é improvável, se suas baterias não tiverem sido retiradas, pode-se saber onde eles estiveram desde a sua aquisição.

Enfim, para as investigações, a perícia nos celulares de Adriano é um tesouro.

Resta saber se quem está com eles vai querer investigar alguma coisa seriamente.

PS – Quem estiver interessado em mais informações sobre celulares e seu uso em investigações pode obtê-las no meu último livro, “O Estado policial – Como sobreviver”, lançado recentemente pela Editora Civilização Brasileira.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum


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