Cid Benjamin

21 de fevereiro de 2020, 22h12

Sobre PMs, milícias e retroescavadeiras

Leia na coluna de Cid Benjamin: "Cid Gomes errou ao tentar forçar a entrada no quartel ocupado pelos amotinados pilotando uma retroescavadeira, mas seu erro torna-se secundário ao ser alvejado a tiros por policiais amotinados"

Reprodução

O fato de algumas reivindicações salariais dos policiais amotinados no Ceará aparentemente serem justas está fazendo com que um setor da esquerda apoie o movimento. Ou que, no mínimo, fique em cima do muro, fechando os olhos para o perigo que movimentos desse tipo representam num momento em que um presidente fascista e ligado às milícias joga suas fichas no fechamento do regime e no atropelo à democracia.

Tem gente de esquerda que releva coisas como o uso de capuzes por policiais em carros da corporação pela cidade e dando ordens para que o comércio feche as portas, sob a ameaça das armas. Exatamente como fazem traficantes quando querem mostrar que têm o controle de certas áreas.

Há gente na esquerda que releva esse comportamento, mais próximo ao de milicianos do que ao de policiais que cumprem seu dever com a sociedade.

No máximo os classifica de “excessos”. Pela mesma lógica, deve classificar também como um “excesso” a tentativa de homicídio contra Cid Gomes.

É preciso ter claro uma coisa: movimentos armados de policiais ou de militares, que atropelam a legislação, só podem somar para a esquerda se há uma situação revolucionária e a desagregação do Estado pode redundar numa revolução. Não sendo assim, sempre jogam água no moinho da direita (quando não no fascismo, como agora). Não à toa os bolsonaristas estão apoiando o movimento dos PMs cearenses.

A direita percebe melhor as coisas do que alguns incautos de esquerda. Sabe o que representam motins com este. Tem menos ilusões de classe. Talvez porque, quem sabe, porque ela própria tenha organizado ou estimulado o movimento.

A essa altura, não estou mais preocupado em criticar o comportamento de Cid Gomes, que já tinha se mostrado estouvado outras vezes. Ele errou ao tentar forçar a entrada no quartel ocupado pelos amotinados pilotando uma retroescavadeira, mas seu erro torna-se secundário ao ser alvejado a tiros por policiais amotinados.

Aí reside o problema maior. A maior ameaça e o maior erro a ser criticado.

*Este artigo não representa, necessariamente, a opinião da Fórum


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