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13 de julho de 2019, 10h47

Em 2005, o então deputado Bolsonaro trabalhou em defesa do nepotismo

Anos antes, ainda nos anos 90, Bolsonaro usou verbas da Câmara para empregar a sua companheira, que na época era Ana Cristina Vale, assim como o pai e a irmã dela: “Não somos casados. Portanto, não são meus parentes”, disse

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quando era deputado, o presidente Jair Bolsonaro votou contra uma lei que tinha como objetivo lutar contra o nepotismo, mas esse é o ponto mais interessante:

Em 2005, quando Bolsonaro ainda era do extinto PFL (hoje conhecido como DEM) discursou contra a medida que visava a proibição da contratação de parentes no setor público.

Ainda alfinetou colegas do próprio partido onde, segundo ele, o senador Antonio Carlos Magalhães e o então deputado federal ACM Neto, ambos do PFL na época, eram “contra a contratação de parentes porque possuem várias empreiteiras na Bahia, onde poderiam empregar muitas pessoas e não precisam das vagas em serviço público”, disse Jair Bolsonaro.

O afã em derrubar a medida tinha motivo. Anos antes, ainda nos anos 90, Bolsonaro usou verbas da Câmara para empregar a sua companheira, que na época era Ana Cristina Vale, assim como o pai e a irmã dela.

O pai de Ana Cristina, José Cândido Procópio, e a irmã, Andréa de Assis, foram contratados de forma irregular pelo gabinete do deputado. Os dois moravam em Juiz de Fora (MG), embora o deputado tenha sido eleito pelo Rio.

O Ato 72/97 da Câmara determina que os funcionários “terão exercício exclusivamente nos gabinetes parlamentares, em Brasília, ou em suas projeções, nos Estados”.

Ana Cristina, com salário de R$ 3.600, exerceu cargo de confiança no gabinete do líder do PPB, Odelmo Leão. Procópio ganhava R$ 2.500 e Andréa, R$ 3.000.

Segundo Bolsonaro, Procópio e Andréa “vão ao Rio toda semana”. Na ocasião ele disse que não pratica nepotismo e declarou:

“Eu estou me divorciando da minha primeira mulher. A Ana Cristina é minha companheira. Não somos casados. Portanto, não são meus parentes.”

Bolsonaro aparentemente aprendeu o que era nepotismo e para evitar problemas mudou a “forma de contratação” e ano passado foi flagrado em uma reportagem da Folha de São Paulo onde segundo o jornal, ele teria usado verba da Câmara dos Deputados para empregar uma vizinha dele em um distrito a 50 km do centro de Angra Dos Reis (RJ).

Segundo moradores da região, a funcionária do gabinete (desde 2003) era caseira do parlamentar e recebia um salário bruto de R$ 1.351,46 em valores atualizados. Um rombo de quase 250 mil reais aos cofres públicos.

Na ocasião, caso Bolsonaro fosse investigado e condenado poderia ser indiciado pelo crime de peculato.

Agora, Bolsonaro se vê envolvido novamente em uma nova polêmica envolvendo cargos públicos e parentes com o convite que fez ao seu filho para assumir a embaixada do Brasil em Washington (EUA).

Eduardo atualmente preside a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional na Câmara dos Deputados e foi acusado de tentar blindar o atual ministro da justiça Sérgio Moro de uma convocação para prestar esclarecimentos sobre a viagem que fez em junho deste ano aos Estados Unidos.

Uma eventual nomeação de Eduardo como embaixador em Washington romperia uma tradição das últimas décadas, já que a missão vem sendo chefiada por diplomatas de carreira, com experiência comprovada.

Eduardo Bolsonaro não é diplomata, possui pouca experiência em política internacional e tem posições controversas sobre temas como a Venezuela, Oriente Médio, relações comerciais com a China e já sugeriu inclusive uma aventura militar contra a Venezuela, contrariando a cúpula militar brasileira. Inclusive quase comparou o principal parceiro comercial do Brasil, a China, com a Alemanha de Hitler.


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