Colunistas

23 de janeiro de 2019, 17h22

Estamos próximos da elucidação dos assassinatos de Marielle e Anderson?

Em novo artigo, Dennis de Oliveira avalia que o problema do assassinato de negras e negros não é de falhas na estrutura de segurança pública. É produto da lógica e da ideologia destas instituições

Foto: Reprodução/Facebook

No dia 22, uma operação da Polícia Federal desbaratou um grupo de policiais e ex-policiais que controlavam uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro. Foram detidos o major Ronald Paulo Alves Pereira, o ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega e o subtenente reformado Maurício Silva da Costa. São 13 mandados de prisão expedidos, nem todos ainda cumpridos.

A mídia hegemônica, Globo à frente, destacou os vínculos dos milicianos presos com o ex-deputado estadual e senador eleito, Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República. Os vínculos vão desde homenagens propostas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pelo então parlamentar estadual a alguns membros destas milícias, até a contratação da mãe e esposa de um deles, Adriano Nóbrega, como assessoras no seu gabinete. A indicação foi feita pelo famoso Fabrício Queiroz, o tal dos depósitos milionários.

Fórum terá um jornalista em Brasília em 2019. Será que você pode nos ajudar nisso? Clique aqui e saiba mais

A quadrilha de milicianos atuava, principalmente, na grilagem de terras no Rio de Janeiro. Mas a operação da Polícia Federal e do Ministério Público também apontou indícios de envolvimento de alguns destes milicianos com o assassinato da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes, em 14 de março do ano passado.

São apenas indícios. Mas que mostram a lógica do racismo estrutural no discurso daqueles que tentaram justificar o assassinato de Marielle pelo seu envolvimento com “bandidos” (entre eles, uma juíza do Rio de Janeiro). O senador eleito Flávio Bolsonaro chegou a defender a ação de apoiadores seus de destruírem as placas de homenagem à vereadora assassinada.

Como já afirmei aqui na Fórum, as interpretações da mídia hegemônica quanto ao assassinato de Marielle Franco se centravam em falhas na segurança pública ou na intervenção militar. Se os indícios se confirmarem, o que se vê é o envolvimento das próprias instituições de segurança neste caso e, pior, chega próximo ao círculo da presidência da República. Como o crime contra Marielle Franco teve repercussão internacional, este caso tende a amplificar ainda mais a crise do governo.

Porém, reafirmo: o problema do assassinato de negras e negros não é de falhas na estrutura de segurança pública. É produto da lógica e da ideologia destas instituições. E que o governo atual é a expressão disso.

Agora que você chegou ao final deste texto e viu a importância da Fórum, que tal apoiar a criação da sucursal de Brasília? Clique aqui e saiba mais


Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum