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24 de outubro de 2018, 15h59

Há tempos que o mercado financeiro adotou a barbárie

O fato é que, desde a década de 1970, dentro e fora do Ocidente, a entidade mercado-financeiro age como uma grande sanha colonialista: apoia candidaturas claramente barbáricas e depois aparece como porta voz da "civilização"

(Foto Reprodução)

Desde que o candidato da extrema direita brasileira, Jair Bolsonaro (PSL), se configurou como o favorito a vencer a eleição presidencial, que terá o seu segundo turno daqui 5 dias, o mercado financeiro reage com euforia e alguns “porta-vozes” dessa entidade obscura declaram que possuem mais proximidade com o plano econômico de Jair.

Isso não deve ser tratado como surpresa, mas sim como um fato histórico: desde sempre os interesses dos capitalistas – entenda-se lucrar sempre mais – esteve ao lado da barbárie. A história do capitalismo, na verdade, se confunde com inúmeras tragédias ao longo do tempo. Para alguns pode parecer exagerado, mas esse caráter dos setores comerciais tem início em 1492 com a invasão da América: do mercado escravocrata ao capitalismo mercantilista, do liberalismo ao neoliberalismo. A barbárie sempre foi uma aposta.

E nesse contexto, a América Latina e a África sempre foram os dois laboratórios do setor financeiro. Não à toa, mesmo diante de inúmeros genocídios ocorridos ao longo do tempo nestes continentes, o setor financeiro sempre se calou, pois, de uma maneira ou de outra, no final, com muita ou poucas mortes, com ou sem democracia, sempre há lucro a ser conquistado. Portanto, os sinais de apoio e euforia a liderança na intenção de votos do candidato da extrema direita brasileira não é uma surpresa, mas uma coerência com a história do capitalismo, seja em qual época for.

Essa euforia da entidade mercado aumenta a cada vez que alguém declara que, caso seja eleito, o governo Bolsonaro vai “privatizar tudo”, ainda que seja uma falácia e algo muito difícil de se fazer. Interesses estrangeiros perdem o sono só de imaginar na possibilidade de um governo que vai liberar total a exploração em território brasileiro. E é por esse por esse motivo que não apoiam a candidatura de Fernando Haddad (PT) e também não apoiariam as candidatura de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Guilherme Boulos (PSOL), pois, com as respectivas contradições de cada uma dessas candidaturas, são projetos de país que não tinham/tem no horizonte um projeto de re-colonização do Brasil, pois, é isso mesmo que pode vir a acontecer se a barbárie se confirmar no domingo.

Mas, também não significa que a sanha colonialista das potências europeias e, posteriormente, dos Estados Unidos deixaram de existir na América Latina e África, mas, com governos de centro e de centro-esquerda havia – em alguns países desses dois continentes ainda há – certo controle das riquezas e das produções nacionais. O fato é que, desde a década de 1970, dentro e fora do Ocidente, a entidade mercado-financeiro age como uma grande sanha colonialista: apoia candidaturas claramente barbáricas e depois aparece como porta voz da “civilização”.

Para quem se interessa por esse assunto, indico dois livros: “As contrageografias da globalização”, da socióloga Sáskia Sassen e “A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal”, de Pierre Dardot e Christian Laval. Ambas as obras tratam, historicamente, como um setor legal-ilegal do mercado financeiro vai corroendo democracias ao redor do mundo sem derrubá-las a partir de sustentáculos legais-ilegais, tais como tráfico de corpos, de drogas, armas e o sustento de grupos e pessoas que rezem a sua cartilha.

“Barbárie, se tivermos sorte”. Essa provocação, feita em 2015 pelo filósofo Itsván Mészáros, nunca fez tanto sentido.


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