Ivan Cosenza de Souza

cartas do pai

04 de dezembro de 2019, 23h54

Cartas do Pai: “O samba e o funk”

Sei que o samba está de luto junto com o funk. O irmão mais velho, que começou a sofrer muito antes o que seu irmão mais novo sofre hoje

Foto: Reprodução

Rio de Janeiro, 04 de dezembro de 2019.

Pai.

Na segunda (2) foi o Dia Nacional do Samba. Parte da nossa cultura, que atrai milhares de turistas.

Mas, assim como tudo que vem do povão, da população mais pobre, foi discriminado. Li que sambistas eram presos na década de 40, apenas por estarem “portando” um pandeiro.

Não é sócio Fórum? Quer ganhar 3 livros? Então clica aqui.

As Rodas de Samba eram vistas como reunião de bandidos, assim como os Bailes Funks são vistos hoje. Mas só se forem no morro. Se forem em um clube da zona nobre ou em um condomínio de luxo, tudo bem.
Imagina se a polícia entraria atirando em uma festa de gente rica? Jamais!

Na véspera do Dia Nacional do Samba, seis PMs invadiram um Baile Funk em Paraisópolis, uma favela de São Paulo, dizendo estar atrás de dois bandidos, e assassinaram nove jovens inocentes. Atiraram, jogaram bombas, perseguiram e espancaram pessoas desarmadas, que tentavam se proteger.

Mas este crime teve um mandante. O governador de SP já tinha avisado que “a partir de janeiro, a polícia vai atirar para matar!”.

Como se já não fizesse isso antes. Matava portadores de furadeiras ou guarda chuvas. A diferença é que os governantes, pelo menos, não incentivavam publicamente esse tipo de crime.

Pai, hoje as pessoas não têm mais vergonha de ser preconceituosas e incentivar a violência.

Elas estariam incentivando a repressão contra artistas como Monarco, Cartola ou o seu amigo Noca da Portela. Estariam chamando eles de vagabundos e bandidos, como fazem com os funkeiros de hoje.

Sei que o samba está de luto junto com o funk. O irmão mais velho, que começou a sofrer muito antes o que seu irmão mais novo sofre hoje.

O preconceito e o racismo contra as artes populares estão aí, firmes e fortes!

Até quando, pai?

Um beijo do seu filho,

Ivan

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum