Ivan Cosenza de Souza

cartas do pai

09 de julho de 2019, 15h31

Cartas do Pai: “Trabalho infantil não é brincadeira”

Juntando com a retirada de verbas da educação, ele tira qualquer possibilidade de crianças pobres poderem ter um futuro melhor

Foto: Reprodução

Rio de Janeiro, 09 de julho de 2019.

Pai.

Quando eu era pequeno adorava brincar de desenhar, que nem você. Fingia ser desenhista, mas também fingia ser escritor, policial, vendedor…

Me divertia muito com as profissões que escolhia para brincar. Lembro que lavava o carro pra ganhar um dinheirinho extra. Mas isso tudo era brincadeira.

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Uma brincadeira disfarçada de trabalho, que me dava uma lição de responsabilidade, mas que se eu não quisesse mais brincar, continuaria tendo comida, roupas novas, escola e tudo mais. Não era um trabalho de verdade.

Quando era criança, eu e meus amigos costumávamos dizer que era bom crescer logo pra termos o nosso próprio dinheiro, sem ter que pedir para os nossos pais.

Hoje, temos saudades do tempo de criança, quando não precisávamos trabalhar e tínhamos quase tudo.

O triste é ver que muitos adultos de hoje nunca tiveram este pensamento. Sempre trabalharam, não pra ganhar um agradinho ou um dinheirinho extra. Mas para poderem ajudar os pais a comprar comida, talvez uma roupa nova, e nada mais.

Nós brincávamos de trabalhar, enquanto muitos já trabalhavam pesado. Íamos para escola e eles nem sempre, pois tinham que trabalhar.

O presidente, que até assumir o cargo, nunca tinha trabalhado na vida (pois ele apenas brincou de ser soldado e deputado), disse que é a favor do trabalho infantil.

Juntando com a retirada de verbas da educação, ele tira qualquer possibilidade de crianças pobres poderem ter um futuro melhor. E vejo pessoas como eu, que brincaram de trabalhar, dizendo que são a favor também.

A cara de pau dessa gente parece não ter limites, pai.

Um beijo do seu filho,

Ivan

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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