Ivan Cosenza de Souza

cartas do pai

20 de agosto de 2019, 22h55

Cartas do Pai: “Treinado para matar”

"Era pra estarmos lamentando as cenas de violência e insegurança, mas o presidente ensinou que a morte deve ser comemorada"

Foto: Reprodução

Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2019.

Pai.

Quando um candidato disse que não entendia de economia, de educação, de saúde, muita gente não se importou. Afinal, por que um chefe de Estado deveria entender sobre o cargo que ele estava disputando?

Ele falou que sua especialidade era matar e, mais uma vez, ninguém se importou.

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Agora, estamos vendo que a especialidade dele está sendo a base do governo.

Tem trabalhador sendo morto com 80 tiros.

Índios assassinados dentro de suas terras.

Nossos direitos trabalhistas estão morrendo.

Nossa mata está morrendo queimada, junto com milhares de animais, fazendo São Paulo ficar às escuras no meio da tarde.

Desemprego matando os planos das famílias de terem uma vida decente.

Aumentou em 60% o número de suicídios de idosos no Brasil.

Cortou água da irrigação do São Francisco para o Nordeste, que vai fazer gente e plantações morrerem de sede.

Jogador de futebol, e uma jovem com o filho no colo, mortos a tiros em operação da polícia.

Ele está mostrando ao que veio.

Ele avisou que era isso que ele sabia fazer, ninguém pode ficar surpreso.

Hoje, um de seus discípulos, o governador do Rio, pulou, deu socos no ar, comemorando mais uma cena de violência, mais uma morte. Violência agora é motivo de comemoração, dependendo contra quem for, lógico.

Era pra estarmos lamentando as cenas de violência e insegurança, mas o presidente ensinou que a morte deve ser comemorada.

Eu não comemoro morte, só comemoro a vida.

Quero comemorar uma vida melhor, um Rio melhor, um Brasil melhor.

Um beijo do seu filho,

Ivan

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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