João Vicente Goulart

19 de junho de 2019, 23h26

As armas e o coice do petiço

João Vicente Goulart: “É hora de diálogo, não de coices, seja com murros na mesa ou por decretos, que a Constituição não permite”

Foto: Reprodução

Nos Pampas gaúchos, o coice de petiço é tido como um reflexo de impotência.

Isto acontece, quando o petiço está dentro da manada, galopando nas coxilhas abertas, entre éguas e padrilhos, que, relinchando, tomam conta delas, deixando pouco espaço para aqueles cavalares menores, com tiques nervosos de muares, que tentam seus objetivos nas fêmeas.

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Dado a sua pequena estatura, perambulam no grupo sem saber ao certo sua força diante de toda a manada de machos, emitindo, desta maneira, velhos e cansados relinchos. Há muito já foram encilhados, com serigote, cela, freio e cincha apertada, carregando maneador e boçal, preparados para o ocaso da grande campeirada. Pois nestas lides dos pagos, tanto os matungos como os guaipecas sabem que quem manda na manada é o relho, da peonada.

O coice é uma arma entre eles, os animais cavalares, e ao que parece hoje, também se reflete em homens, em súbditos, em fanáticos, e até em velhos generais que compõem o atual governo.  Vimos, recentemente, o ministro general de pijama Augusto Heleno socar as mesas e, contra a nossa Constituição, pregar ilegal e abertamente a “prisão perpétua” para o ex-presidente Lula da Silva, esquecendo que dar coice, como faziam na ditadura, “prendendo ou arrebentando”, já não faz mais parte de nossa democracia, nem ao respeito ao Estado de direito.

Nem quiçá da tropa, muito menos da manada.

Quando se erra um coice, que é um tipo de arma, da qual subjetivamente estamos falando, contra alguém ou contra uma instituição, e desta forma se tenta intimidar aqueles que entendemos inimigos, torna-se perigoso, principalmente se esse alguém é um órgão da democracia brasileira, como o Supremo Tribunal Federal, ou o Congresso Nacional, que existe para que coices não sejam dados contra a nossa Constituição.

O Senado Federal deu esta semana um fantástico “NÃO”, ao projeto do presidente Bolsonaro, refugando na porteira, a atitude autoritária do coice pretendido através de decreto, da liberação da compra e porte de armas, que, pelo entendimento da ordem democrática, deve ser feito através de lei.

É bom termos, atualmente, um parlamento que, apesar de novo, segue as regras constitucionais em defesa dos diretos dos cidadãos brasileiros, que está tomando as rédeas e tendo um importante protagonismo, e que não mais está tolerando a prepotência, a falsidade e o atropelamento de nossa Constituição e de nossas leis.

Está cada vez mais claro, que esta liberação das armas é para fomentar o ódio, que já está bem exacerbado pela proposta fascista do governo, e que, em uma segunda etapa, uma vez armadas as milícias, procederiam os “mandatários” com a destruição de nossas instituições, com os fanáticos milicianos-nazistas armados e desafiando o Estado de direito estabelecido.

Diminuir a violência contra a família brasileira, através de armar as “pessoas de bem”, para se defender de bandidos, nada mais é que um argumento pífio e midiático, que esconde a verdadeira intenção de Bolsonaro e Cia., de criar um Estado totalitário, nazifascista com brigadas milicianas para derrubar a ordem estabelecida.

A demissão de vários generais do governo, que tinham a mínima interlocução com a sociedade, mostra que o generalato da ativa está cada vez mais apreensivo com o rumo dos coices governamentais e com muito medo da perda de comando de seus subordinados, cabos, sargentos e suboficiais, deslumbrados pelo “mito”.

É hora de diálogo, não de coices, seja com murros na mesa ou por decretos, que a Constituição não permite.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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