João Vicente Goulart

27 de maio de 2019, 22h02

Contra a égide do totalitarismo, o amor pelo Brasil

João Vicente Goulart, sobre o governo Bolsonaro: “A identificação do Estado totalitário, com a prática do discurso de ódio, que pretende espelhá-lo aos cidadãos, nos lembra o fascismo italiano ou o nazismo alemão”

Foto: Reprodução

O descontrole do governo Bolsonaro caminha por uma via muito clara e objetiva.

O que parece à primeira vista uma mistura de incompetência, com disparates impulsionados pelo Twitter pessoal do presidente, o envolvimento dos filhos parlamentares na orientação de certos rumos das políticas governamentais, a mistura explosiva da prática da mescla do público com o privado, com o discurso de ódio oriundo da prepotência miliciana, intrinsecamente refletida nas falas e ações presidenciais, e uma pretensa justificativa ao chamado das armas, é o discurso da “família”, travestido sob o manto de igrejas neopentecostais, justificando a violência contra minorias, negros e favelados. É sem dúvidas um direcionamento de promover uma anarquia social muito profunda, independentemente ao dano institucional que possa vir a causar.

O governo está buscando um clima de disputa social sob a égide totalitária do ódio.

A incógnita é que, vários de nós nos perguntamos, se ainda é possível que o presidente constitucional, democraticamente eleito, desperte para a realidade constitucional, pois ainda não se deu conta que a campanha eleitoral terminou, e que seu dever é unir a sociedade brasileira, será possível?

Não entendeu ele ainda as diferenças culturais, ideológicas, raciais, de gênero, que o nosso país possui? Por que ainda não entendeu ser presidente de todos os brasileiros? Ele sabe muito bem sim, as diferenças humanas em um país tão vasto como o nosso, e não é falha ou falta de entendimento político do presidente dar atenção à Nação como um todo. As suas atitudes não são inconsequentes, são macabras e delineadas com planejamento, muito bem traçadas e elaboradas, para colocar por terra as instituições republicanas brasileiras.

Todos sabemos, e a maioria dos eleitores de Bolsonaro sabia de suas posições a favor da tortura, contra as minorias, a favor da violência policial nas comunidades, de aculturação forçada contra povos indígenas, contra as pessoas que pensam diferentes a ele, como os “marginais vermelhos”, o seu ódio aos intelectuais, da sua falta de respeito às mulheres, de seu pouco ou nenhum apreço pela conservação de nossa biodiversidade, de sua submissão lacaia e gratuita aos Estados Unidos da América, a entrega covarde de nosso patrimônio estatal, de nossas riquezas minerais, de nossas empresas estratégicas, de nosso petróleo, de nossa economia e soberania.

Mas o mais grave e que não supúnhamos, era o seu desprezo pela conservação de nossas instituições republicanas.

E é isto, exatamente isso, que estamos presenciando nos seus primeiros meses de atuação como presidente constitucional do Brasil.

Ele está se lixando para os poderes constituídos, e por trás disto parece que a insistência de promover o confronto entre a população brasileira é o seu objetivo final, para promover inclusive a queda de algumas instituições democráticas de nosso país, como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, como nos mostraram, neste domingo (26), suas seitas de seguidores deflagrando bandeiras de desestabilização, de ilegalidade ao pregar contra  nossos poderes constituídos, nas manifestações orquestradas de apoio ao fascismo.

Esta frase de Bolsonaro, há vinte anos, mostra o caráter golpista, autoritário, e por que não interpretar como sanguinário, que demonstra sua intenção. A trajetória foi longa e é perigosa, pois ele está muito mais perto de quando a pronunciou.

“Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil, começando com o FHC, não deixar para fora não, matando! Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente ” (1999). 

Esta é sua proposta, a desestabilização, a baderna, o ódio entre irmãos brasileiros, para construir um caminho sem volta, uma estrada sem destino definido.

A identificação do Estado totalitário, com a prática do discurso de ódio, que pretende espelhá-lo aos cidadãos, nos lembra o fascismo italiano ou o nazismo alemão.

Um grande diálogo é necessário nas forças progressistas, incluindo setores do empresariado nacional, trabalhadores, movimentos sociais, militares nacionalistas, sindicatos, mulheres e homens conscientes que tragam a soberania e a democracia como princípios básicos desta agenda, para que, em nome da legalidade republicana, possamos entender este dilema político.

Manter nosso calendário eleitoral e os pilares institucionais de nossa Nação nunca foi tão necessário, diante de uma catástrofe iminente.

Necessitamos uma Frente de amor, pelo Brasil.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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