João Vicente Goulart

21 de janeiro de 2020, 00h10

Tá de boa? Comunismo sim, por que não?

João Vicente Goulart: “Queremos um Brasil com mais equidade, com mais comunhão, mais coletivo, comunitariamente de todos, com mais justiça, sem opressão e com idênticas oportunidades para todos”

Fotos: Divulgação

Tô de boa!

Pensamos por nós mesmos ou pensamos pelos outros para estar de boa?

Quantas vezes, ao longo de minha vida, a palavra comunismo cresceu como algo ruim para mim, para a sociedade, como algo fantasmagórico. Diziam, inclusive, que comunista comia criancinhas. O tema fazia parte das minhas preces noturnas, as maiores preocupações de minhas insônias, para que o monstro não abrisse a boca e, em meus sonhos, fosse eu lá a parar no fundo daquela barriga gulosa, que comia os filhos e os separava dos pais?

Meu pai foi político, trabalhista e nacionalista, presidente da República e propositor das “Reformas de Base”. Acusado de comunista, foi derrubado do poder. Pelas armas. Pela prepotência, pela opressão.

Essa palavra, “Comunismo”, foi para mim, diria de tal forma, magnanimamente injusta, pois foi com essa acusação de toda uma parte da sociedade brasileira, carregada de uma crença errônea sobre o sentido íntegro do comunismo, que ilegalmente apoiou o 1º de abril de 1964, um Golpe de Estado que rompe a Constituição e instala no país 21 anos de ditadura. Vieram com ele a censura, as perseguições, as prisões ilegais, os exílios, as cassações, os desaparecidos do Estado, as torturas e o selvagismo.

Derrubaram uma democracia, argumentando que iriam impedir a formação de um governo “comunista”, e instalaram 21 anos de ditadura, onde para ser presidente da República tinha-se que ter não votos, mas, sim, estrelas de general no peito. Alguns com quatro, outros com oito. Que bela democracia, heim?

Até hoje, neste difícil momento político da luta do desenvolvimento social de nosso país, a mídia, os grandes grupos industriais, nacionais e estrangeiros demonizam o comunismo, mas não explicam as suas propostas e objetivos.

Então, vamos lá.

A essência de nosso caminho, comunista, vem ao encontro dos jovens, do “Deboísmo”, do amor à liberdade, da luta contra a opressão, de uma unidade mundial comunitária, de solidariedade, de justiça sem coronelismo, do amor ao próximo, e do amor à terra. Almejamos a fraternidade da vida, de todos.

Hoje, grande parte de nossa juventude, está se afastando do princípio que triunfar na vida é ter.  Os jovens querem estar em harmonia com o meio ambiente, com a solidariedade, querem viver com menos e viver mais. Querem ter tempo para eles próprios e para os outros. Hoje, nossos netos querem corrigir a indignação que sentem quando vêm uma mãe sem teto, embaixo de um viaduto, com uma criança no colo e sem um pingo de leite para colocar em seus lábios, que suplica aos transeuntes uma esmola para alimentar. Querem, sim, corrigir essa realidade que os sufoca. Sentem a injustiça. Isso é uma qualidade humana do comunismo.

É a comunhão com o mundo, é o respirar à vida através da solidariedade, é olhar os outros como semelhantes, os sem teto e os que têm fome como um problema de todos, pois vivemos em comunidade. Ninguém é mais ser humano que ninguém, todos somos comuns, todos somos filhos de um só planeta.

Essas emoções de revolta quando vemos uma injustiça é um sentimento comunista. Olha dentro de ti e se sentires a mesma coisa, quando veres essas realidades a tua volta, não vais estar de boa. Vais estar querendo mudar. E não poderás justificar: “Essa vagabunda, está aí jogada com o filho embaixo da ponte, pois não gosta de trabalhar”. Esse ódio é produto do ultraliberalismo, não é coisa de comunista.

Quando a expressão de tua arte for podada, pois ela, a arte, que é a única expressão humana que pode e deve extravasar a realidade para orientar o coração e mostrar à humanidade outras alternativas evolutivas, se não o permitirem, verás que luta contra a opressão é uma coisa “comum” de todos os homens livres.

Uniremos nossas diferenças religiosas e brasileiras. O sincretismo de nosso povo nos permite construir e fazer brotar o amor entre nossas crenças miscigenadas de católicos, umbandistas, espíritas, evangélicos e ficaremos de boa.

O PCdoB está evoluindo, está crescendo e propondo um novo Brasil, propondo uma nova harmonia, uma sinfonia com todos os ritmos, das florestas, do cerrado, do pantanal, da caatinga, dos mares e dos lares, que unificarão uma grande consciência coletiva com as cores e a esperança do Brasil.

O nosso partido, o PCdoB, fará 100 anos em 2022.

Não mudamos de nome como outros, para nos esconder.

Mantivemos nosso nome, mas atualizamos nossas ideias.

Queremos um Brasil com mais equidade, com mais comunhão, mais coletivo, comunitariamente de todos, com mais justiça, sem opressão e com idênticas oportunidades para todos.

Para todos nós mulheres e homens, pois somos todos merecedores da Pátria, pois somos todos brasileiros comuns e donos, para sempre, de nossa esperança no bem de todos.

Estamos de boa!

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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