Julian Rodrigues

29 de fevereiro de 2020, 13h57

Convergências e avanços: pré-candidaturas petistas debatem saúde e políticas LGBT

“Pluralidade, mobilização, debate, isso é a cara do Partido dos Trabalhadores. Temos nosso montão de limitações e desafios, mas construir processos participativos continua sendo nossa marca”, diz Julian Rodrigues

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Participei nessa última sexta-feira de fevereiro do debate entre as pré-candidaturas petistas à prefeitura de São Paulo (as prévias estão agendadas para 22 de março). Kika Silva, Jilmar Tatto, Eduardo Suplicy, Alexandre Padilha, Carlos Zarattini e Nabil Bonduki fizeram exposições muito boas e complementares (Paulo Teixeira justificou ausência).

Com a casa cheia, foi gostoso demais ver compromisso de todos os candidatos e da candidata com a defesa do SUS – a crítica ao desmonte e à privatização da saúde é unânime e contundente, bem como às organizações sociais (há ainda algumas nuances na forma de encaminhar essa questão em nosso próximo governo).

O que mais me animou como militante do movimento de DH e LGBT – e ex-coordenador LGBT do governo Haddad – foi o consenso generalizado sobre a importância da defesa dos direitos dessa população, sobretudo no atual contexto de ascensão do neofascismo.

Todo mundo ressaltou que não adianta recuar, que é preciso defender nosso legado e aprofundar as conquistas. Inclusive, houve críticas (autocríticas?) ao fato de o PT ter recuado no debate sobre políticas educacionais de promoção do respeito à diversidade sexual e de gênero, quando da votação do Plano Municipal de Educação, cedendo à chantagem do pânico moral impulsionado pelo fundamentalismo religioso (a tal  ideologia de gênero).

Em minha intervenção, ressaltei meu grande orgulho de ter elaborado o Plano Municipal LGBT (no Plano de Metas), bem como ter criado o Transcidadania, o Plano Municipal de Saúde LGBT, os Centros de Cidadania e Unidades Móveis. Registrei que o governo Haddad foi o que mais investiu em políticas LGBT na história do Brasil – terminamos o governo com orçamento de R$10 milhões – superior ao do governo federal, que era de R$ 800 mil (mérito de Haddad e do PT de São Paulo, deficiência gigante do governo Dilma).

Desafios enormes, entretanto. Fazer uma campanha sem vacilos e sem armários. Ganhando, fortalecer o que já fizemos e avançar muito mais, sobretudo na EDUCAÇÃO – implantar, de fato, um grande programa municipal de combate à discriminação e de promoção da igualdade de gênero e diversidade nas escolas. Também sensibilizar e capacitar a GCM e o conjunto do funcionalismo público. Criar um Observatório Municipal (para registro das violações dos direitos das LGBTs, principalmente dos crimes de ódio e violência letal). Ampliar o programa municipal de saúde LGBT. Fortalecer e ampliar o processo transexualizador na rede municipal. Fazer com que o Transcidadania atinja 1.000 pessoas (hoje são cerca de 200). Promover campanhas educativas nos meios de comunicação, permanentemente.

São Paulo deve voltar a ser a cidade da diversidade e dos direitos humanos. A cidade da pluralidade, da cidadania, do reconhecimento de direitos, das oportunidades e da igualdade na diferença – que acolhe todas e todos.

A campanha do PT à prefeitura de São Paulo deve ser uma plataforma antifascista, democrática, pró-direitos sociais. Um contraponto radical ao ultraliberalismo e ao neofascismo.

O debate deixou nítido que a unidade do PT-Sampa é muito grande.   Todes  pré-candidates estão na mesma vibe, – na mesma linha de programa e tática. Bora derrotar os tucanos e o bolsonarismo e fazer nosso quarto governo, popular e democrático.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum


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