Julian Rodrigues

22 de maio de 2019, 16h19

Impeachment é coisa da velha direita: vamos fortalecer as mobilizações para derrotar o governo e seu programa

Julian Rodrigues: “Não podemos confundir uma possível retirada de Bolsonaro da presidência com a derrubada do governo e a derrota de suas propostas”

Foto: Reprodução

O sucesso das mobilizações do último dia 15 de maio somado ao crescente mal-estar da velha direita com o bolsonarismo abriram um cenário novo.

Milhares de ativistas do campo democrático-popular começaram a acreditar que já estamos em um momento crítico e definitivo.  Que Bolsonaro já teria seu destino traçado e nosso papel seria impulsionar seu impeachment.

Sim, mudou a conjuntura imediata.

Mas, para começar, “eles” –  a “velha direita” (PIG, PSDB, DEM, mercado financeiro) – ainda não decidiram operar o impeachment. “Eles”, aliás, são muita gente. Inclusive as grandes corporações norte-americanas e o governo Trump (para não falar da alt-right Bannon e cia).  A turma de cima não tem unidade imediata sobre o que fazer.

Em segundo lugar, Bolsonaro e o clã continuam fortes. Trabalham com a mobilização crescente de sua base orgânica, de extrema direita: neofascistas doutrinados por Olavo e orientados por Carluxo.

É totalmente compreensível o nojo-ódio-repúdio que a militância de esquerda tem de Bolsonaro – mais nossa vontade coletiva de libertar logo o país desse lixo. Contudo, temos de ser estratégicos, analisar a conjuntura com calma e frieza.

Ainda estamos em um período defensivo. Qualquer saída política, nesse momento, não será favorável ao bloco progressista.

Pedir impeachment de Bolsonaro, agora, é ser, na prática, linha auxiliar da direita tradicional, da turma do mercado.

Nosso foco deve ser intensificar as mobilizações contra as medidas do governo Bolsonaro. Precisamos acumular forças.  A pauta é a defesa da educação pública e gratuita e a derrota da “reforma” da Previdência.

Todas nossas energias devem ser voltadas para o 30M e para o 14J (greve geral). Sempre levando junto a bandeira do #LulaLivre.

Se tivermos sucesso nessas duas grandes mobilizações a situação política pode se alterar objetivamente. Derrotada a destruição da Previdência e revertidos os cortes na educação, um cenário novo pode se abrir.

Aí sim, será o momento de as forças populares apresentarem uma proposta de saída política. Que não é a porcaria do impeachment (trocar seis por meia dúzia).

Se mudar a correlação de forças e passarmos à ofensiva, temos que propor uma saída de verdade ao país. Que nos livre não só de Bolsonaro, mas também de Mourão, Moro e Guedes. E de todo o programa ultraliberal.

Restaurar a DEMOCRACIA passa necessariamente, então, por DIRETAS JÁ.  Outras eleições.

Garantir a soberania da vontade do povo brasileiro. Nas urnas.

Ou seja, novas eleições – limpas.

O que só é possível com o restabelecimento das liberdades democráticas e dos direitos garantidos na Constituição de 1988, a começar pela LIBERDADE DE LULA (preso ilegalmente).

Resumindo: foco nas mobilizações sociais, nas lutas populares. Acumular forças.

Nenhuma ansiedade, pois não há atalhos disponíveis. Quem quer tirar apenas o Bozo é a turma da “velha direita – eles já entenderam que o capitão não consegue avançar na implementação das propostas deles.

Nosso objetivo é conquistar hegemonia para um projeto popular, democrático, antineoliberal e antineofascista.

Derrubar o Bozo só é muito pouco (isso a Globo também quer).

A estratégia popular e democrática é derrotar o bolsonarismo e garantir as condições para avançar em um projeto de reformas estruturais, antineoliberais e anticapitalistas.

#LulaLivre

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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