As novas quinquilharias eletrônicas e o fim do áudio de qualidade

Hoje em dia, ou se gasta uma boa grana ou tem que se contentar com um som ruim, alto, borrado com os agudos espirrados e grave, muito grave

Dos bolachões de vinil, passando pelos CDs até a era das plataformas por demanda, tudo mudou na maneira como se ouve música, menos a lógica do mercado. Neste caso, até mesmo piorou. Quem pode mais ouve cada vez melhor do que os menos afortunados.

A grosso modo, os equipamentos foram padronizados para o ouvido médio. Trocando em miúdos, a grande maioria das tralhas eletrônicas a que temos acesso tem os graves e agudos extremamente excitados. É o que, na gíria dos estúdios, se chama “som pra cliente”. É alto, borrado, com os agudos espirrados e grave, mas muito grave.

Com uma ressalva. Tem a qualidade muito, mas muito piorada com relação aos equipamentos tidos como médios nas décadas de 60 e 70.

Por um preço razoável, um apreciador de música poderia, naqueles tempos, comprar uma vitrola, um bom amplificador e um par de caixas em qualquer loja de departamentos. Hoje, ao contrário, tudo o que encontramos fora das lojas especializadas é puro lixo. Equipamentos enormes, repletos de luzes piscantes, graves e agudos feitos para acordar as matilhas do bairro e nenhuma qualidade musical.

Já nas revendas de áudio, encontramos qualidade de sobra, mas por preços completamente fora do padrão. Um bom equipamento com amplificador, caixa e algum complemento tipo CD Player, DVD Player, não sai por menos do que uns R$ 10 mil. Isto se o ouvinte abrir mão de um bom toca-discos analógico. Ai a brincadeira vai longe.

Nas décadas de 60 e 70 e também por um bom tempo durante os anos 80, bons equipamentos de som eram comprados por preços bem razoáveis. Quem viveu aqueles tempos lembra bem dos velhos amplificadores Polivox, os toca-discos Garrard e tantas outras marcas bem acessíveis e com boa qualidade.

Não é incomum encontrar esses equipamentos em perfeito estado em casas de pessoas jovens, adquiridos em lojas de usados.

Com a entrada do digital, um mundo de plástico descartável invadiu o planeta sonoro. Se, por um lado, esses equipamentos popularizaram a música, permitindo o direito a que quase todo mundo tenha, ao menos, um aparelho, nem que seja o celular e uma caixinha para ouvir música, por outro, aquele de melhor qualidade, que ficava na faixa intermediária, como dito acima, sumiu do mercado.

Algumas caixas de áudio, sobretudo as JBL, mantêm ainda um padrão bem razoável de áudio. Além disso, são muito práticas na hora de transportar pra lá e pra cá com uma boa autonomia de bateria. É preciso, no entanto, cuidado, pois são alguns dos produtos mais pirateados do mercado. E as suas cópias são sofríveis e de pouca duração.

Mas, mesmo assim, nada substitui o equilíbrio de frequências e o conforto sonoro que um bom par de caixas e um amplificador a válvulas possui.

Esse mundo, no entanto, parece ter ficado mesmo para meia dúzia de chatos. A música comprimida, tocada em equipamentos mais reduzidos ainda, devastou com todo o resto. Um bom áudio virou artigo de luxo. E, daqui para a frente, esta tendência deve se acentuar mais ainda.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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Renato Rovai
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