Julinho Bittencourt

24 de março de 2020, 10h33

Coronavírus leva o astro africano Manu Dibango, autor de “Soul Makossa”

Ele foi o primeiro artista africano a ganhar disco de ouro nos EUA. Sua canção previa o que viria a acontecer a partir de então no planeta, sobretudo com a música eletrônica

Foto: Selbymay/Wikimedia

O coronavírus levou o camaronês Manu Dibango, aos 86 anos. O músico estava internado há uma semana para tratar a doença.

Um comunicado em sua página do Facebook fez o aviso ao mundo: “É com profunda tristeza que anunciamos a perda de Manu Dibango, nosso ‘Papy Groove’”.

Na África ele era um deus. No Brasil ficou eternizado pelo clássico “Soul Makossa”. Quem já andava por aí na década de 70 com certeza lembra do hit instantâneo, que alternava um suíngue eletrizante e incomum de tambores e bateria com riffs de saxofone.

“Sou makossa” foi o ponto de partida de uma série de sucessos de Emmanuel “Manu” Dibango, no início dos anos 1970. Ele foi o primeiro artista africano a ganhar disco de ouro nos EUA. Sua canção, toda construída a partir de trechos rítmicos, previa o que viria a acontecer a partir de então no planeta, sobretudo com a música eletrônica.

Por conta disto, virou mania entre os DJs de Nova York, que iniciavam então o movimento disco. Dibango também foi um dos precursores do gênero world music. Até hoje, o músico é sampleado, regravado, remixado, enfim, imitado e reverenciado por vários artistas do mundo.

Tocou com vários músicos, entre eles o grupo vocal Ladysmith Black Mambazo, da África do Sul, e o pianista americano Herbie Hancock, com quem fez o excelente álbum “Electric Africa”, de 1985, que conta também com o tecladista Bernie Worrell.

O refrão “ma-mako, ma-ma-sa, mako-makos-sa” foi sampleado em canções como “Wanna be startin’ something” (Michael Jackson) e “Don’t stop the music” (Rihanna).

Em 2009, Dibango entrou com uma ação alegando que Michael havia roubado um trecho de sua música. O sampler fazia parte de “Thriller”, o álbum mais vendido do mundo. O caso foi resolvido fora do tribunal.

Dibango nasceu na cidade camaronesa de Douala, em 1933, que na época estava sob o domínio colonial francês. A sua carreira durou mais de seis décadas.

De acordo com o comunicado da família, seu funeral será realizado em “privacidade estrita”. A nota pede ainda que as pessoas enviem condolências por e-mail e acrescenta que um tributo será organizado “quando possível”.

Quando esteve no Brasil pela última vez, em 2016, Dibango se encantou com a Feira da Yabás, em Madureira, onde participou de uma roda de samba.

“Foi muito interessante. Lá, pela primeira vez, pude perceber a grande diversidade da música brasileira. Todos cantam juntos, há brancos e negros… e eu cantei também!”, disse na ocasião à imprensa.

Manu Dibango deixa uma discografia enorme e intensa que começou com “Soul Makossa”, em 1972 e foi até meados dos anos 90, com “CubAfrica”, que conta com o violonista cubano Eliades Uchoa, um dos participantes do “Buena Vista Social Club”.


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