Julinho Bittencourt

30 de abril de 2020, 15h58

Gilberto Gil e BayanaSistem juntos em álbum pra lembrar o melhor da vida

O disco é uma festa, pra dizer o mínimo. O veterano Gilberto Gil, cuja alma e música nunca envelhecem, encontra a banda que virou sinônimo do que há de mais novo e ousado na Bahia

Foto: Magali Moraes/Divulgação

Acaba de ser lançado, nesta quinta-feira (30), nas plataformas digitais, o álbum “Gil Baiana ao Vivo em Salvador”, que traz um show realizado por Gilberto Gil e a banda BaianaSystem, em novembro do ano passado, na capital baiana, no Parque de Exposições, com mais de 30 mil pessoas presentes.

O disco é uma festa, pra dizer o mínimo. O veterano Gilberto Gil, cuja alma e música nunca envelhecem, encontra a banda que virou sinônimo do que há de mais novo e ousado na Roma Negra, exportadora de talentos vitais para o Brasil e o mundo.

O resultado é explosivo. Repleto de clássicos da carreira de Gil e da banda, o álbum consegue transportar de maneira rara e com muita qualidade técnica, o ambiente do show. Tanto Gil quanto Russo Passapusso, do Baiana, relataram a elaboração da obra e a escolha do repertório, feita a partir da conexão entre suas obras.

“Pra mim, se divide em três matrizes: o ijexá, o reggae e a mensagem, a necessidade de colocar algo para as pessoas”, diz Passapusso, em nota enviada para a imprensa.

O cantor conta ainda que trabalhou sobre as bases de Gil, assim como é feito nos soundsystems jamaicanos.

Já para Gil, o encontro com a banda fundada em 2009 e que arrasta multidões para as ruas no Carnaval da Bahia foi uma “fusão de momentos, contextos, histórias”. “O BaianaSystem é uma banda com esse ecletismo. É a Bahia, né? A Bahia tá viva aqui”, exalta o cantor, bem ao seu estilo.

O repertório é um desfile de pérolas dançantes da carreira de Gil como o lindo cover para “Is This Love”, de Bob Marley; “Nos Barracos da Cidade”, o belo e lento reggae “Extra”, que ganha variações rítmicas, intervenções eletrônicas e vocais novos. Outra que também tem a batida completamente transformada, vocais acrescentados e uma poderosa sessão percussiva é “Pessoa Nefasta”.

O disco segue em clima de festa com “Sarará Miolo”, clássico do álbum Realce, que ganha um improviso rapper de Passapusso. “Emoriô”, de Gil e João Donato fica mais chacoalhada e ganha emenda com “Dia da Caça”, de autoria de Passapusso.

O BayanaSistem usa e abusa dos efeitos eletrônicos sem perder a característica orgânica da sua música. Gil, assim como fez com Os Mutantes há 50 anos, mergulha de corpo e alma nas inovações da banda. No final das contas, o álbum teima em terminar na sétima canção, que é o sucesso do Baiana “Água”, uma espécie de adaptação de Antônio Carlos & Jocafi acrescida de pitacos de Roberto Barreto, Russo Passopusso e Ubiratan Marques.

Nestes tempos de recolhimento e medo, o álbum “Gil Baiana ao Vivo em Salvador” nos traz de volta o melhor da vida. Uma celebração retumbante em forma de festa, com várias etnias e influências pulsando em um só modo.

O melhor da raça humana em alta voltagem de som, visão e alegria.


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