Julinho Bittencourt

06 de março de 2020, 09h15

Há sete anos, Chorão nos deixava órfãos de rock and roll

Com seu som meio metal pesado, meio hip hop, já antevia inúmeras coisas que iriam acontecer na cena a partir dele

Foto: Divulgação

E lá se foram sete anos. Parece que foi ontem que Alexandre Magno, o Chorão, foi embora. Do panteão dos insubstituíveis, o cantor e compositor, com seu som meio metal pesado, meio hip hop, já antevia inúmeras coisas que iriam acontecer na cena a partir dele.

Com seu gestual, letras ora agressivas, ora extremamente doces, Chorão era o contraste em pessoa. Como artista voava alto, era um inventor nato. Amou a sua terra adotiva como ninguém. Apesar de ser nascido em São Paulo, viveu e criou com toda a sua intensidade em Santos, a partir de Santos.

Muitos dos clipes de sua banda, o Charlie Brown Jr., eram feitos por lá mesmo. Fora isso, Chorão adorava repetir que era de Santos. Os dois últimos álbuns feitos pela banda, não à toa, se chamam “Música Popular Caiçara”, esse ao vivo, e “La Família 013”, o último deles, que faz referência ao prefixo DDD da região.

O bairrismo de Chorão não se limitava, no entanto, ao marketing das locações. Seu sotaque, jeitão e maneira de se comportar eram típicos dos garotos da cidade. Na Baixada Santista se troca constantemente o “você” pelo “tu” com a conjugação errada. Daí a frase:

“Meu, tu não sabe o que aconteceu, os caras do Charlie Brown invadiram a cidade”?

E essa talvez tenha sido uma das razões irremediáveis para o sucesso do Chorão e da sua banda. Tinham origem e prezavam por ela.

Fora isso, é claro, a banda tinha um talento que saltava da média mesmo. O primeiro disco explodiu feito uma bomba. “Transpiração Contínua Prolongada” traz um sem fim de sucessos. Canções ótimas, capazes de agradar tanto aos roqueiros mais radicais quanto aos românticos fãs de Zeca Baleiro e de sua MPB, com a linda e suave versão que fez para “Proibida pra mim (Grazon)”,

Chorão tinha a verve do compositor. Sabia encaixar as palavras, melodias e fazê-las gigantes com os arranjos de sua banda repleta de excelentes músicos. É impossível dizer quem era melhor.

Renato “Pelado”, um baterista perfeito, que fazia aquele som todo tronitoar como poucos. Ao seu lado, Champignon costurava o centro necessário em seu contrabaixo com uma performance elegante, pesada. Os dois guitarristas, Marcão e Thiago Castanho, combinavam de maneira rara frases melódicas, excelentes solos e peso, muito peso.

À frente da banda, Chorão liderava público e sonoridade.

Hoje, é inevitável imaginar do que seriam capazes dali em diante, a partir daquele 6 de março fatídico em que ele nos deixou. Um tanto de disciplina, aliada com a maturidade artística que já despontava, poderiam ter trazido para Chorão voos muitos mais altos do que todos os anteriores.

Mas a história não é feita de hipóteses. Ela é e pronto e quem a viveu que aproveite. Chorão, que nesta sexta-feira (6) completa sete anos que nos deixou, foi um dos grandes do nosso tempo e quem viveu sabe.

A história, com seus meandros e surpresas, está ai sempre para nos provar.


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