Julinho Bittencourt

06 de julho de 2020, 08h52

Morre Ennio Morricone, o autor das maiores trilhas de nossas vidas

Morricone foi um dos grandes compositores do nosso tempo. Se especializou em cinema e fez trilhas monumentais como “Cinema Paradiso”, “A Missão”, “Três Homens em Conflito”, entre muitos outros

Foto: Divulgação

O italiano Ennio Morricone é daquela linhagem de compositores para cinema em que suas trilhas acabam sendo tão grandes, e muitas vezes até maiores, que seus filmes. Ao lado de muito poucos, como John Williams e o grande Nino Rota, o colaborador assíduo de Federico Fellini, Morricone se destaca por suas melodias inesquecíveis, que sobreviveram às imagens para os quais foram construídas.

Orquestrador único, Morricone soube como poucos ‘vestir’ um filme. Suas melodias, de tão marcantes, nos levam de volta ao cinema e suas imagens. Compôs quase 500 trilhas, incluindo nelas o famoso assovio de “Três Homens em Conflito (1966)”, ou a inesquecível e marcante melodia para “A Missão (1986)”.

Sobre esta trilha, o maestro lembra que “a música de ‘A Missão’ nasceu de uma obrigação. Tinha que escrever um solo oboé, se passava na América do Sul no século XVI, e tinha a obrigação de respeitar o tipo de música do período. Ao mesmo tempo, eu tinha que compor uma música que também representasse os índios da região. Todas as obrigações me prendiam (…) Mas também fizeram com que saísse algo claro”, recordou em 2017.

O seu trabalho melódico para a trilha de “Cinema Paradiso (1988)” nos remete diretamente à emoção latente do filme, um hino de amor ao cinema. O tema principal foi regravado por inúmeros músicos de várias tendências, desde grandes orquestras até os jazzistas mais radicais.

Curiosas e inesquecíveis também são as suas trilhas para os famosos ‘spaghetti westerns’ de Sérgio Leone, entre eles o próprio “Três Homens em Conflito” e o inesquecível “Por um punhado de dólares (1964)”, entre outros. Todos eles filmes que devem a sua sobrevivência, em muito, às trilhas de Morricone.

O maestro seguiu compondo vida afora e entrou na fase moderna do cinema sem dever nada aos ‘garotos’ da nova geração. Muito ao contrário, fez trilhas monumentais que lhe renderam prêmios e reconhecimento. Entre elas, o clássico “Era uma vez na América (1984)” e dois filmes de Quantin Tarantino, “Bastardos Inglórios (2009)” e “Os oito odiados (2015)”, este último lhe valeu o Globo de Ouro e o Oscar.

Morricone ainda venceu outro Oscar honorário, em 2007, pelo conjunto da obra. Além destes, recebeu uma lista enorme de outros prêmios como Grammys e Globos de Ouro. Sobre suas trilhas, Morricone afirmou com certa modéstia em entrevista: “o fato de eu ter conseguido compor músicas com total liberdade, e tão diversas, foi possível não apenas porque eu tinha técnica, mas também porque era necessário que eu mudasse a cada vez minha maneira de compor. O filme exigia. Acostumei, cada vez era diferente”.

Nascido em Roma, o maestro Ennio Morricone compunha desde os seis anos de idade. Morreu aos 91 anos em decorrência de um acidente doméstico, quando fraturou o fêmur em uma queda.

Ennio Morricone acabou se especializando em trilhas para filmes, mas a sua música sobrevive a qualquer designação e faz dele é um dos maiores compositores da era moderna. Sua obra monumental dignificou os filmes que participou e sobreviveu a eles.

Uma perda irreparável.


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