Julinho Bittencourt

10 de janeiro de 2020, 15h21

O caso do delegado que, finalmente, virou a história, culpou a malvada e devolveu a bola pros garotos

A mulher, aquela mesma de sempre, tomou a bola dos meninos. O delegado e os policias tiveram uma reação surpreendente

Foto: Redes Sociais

Eu, assim como milhões de outros garotos mundo afora, cresci jogando bola nas ruas. No meu caso, no bairro do Boqueirão, em Santos. E, assim como em vários lugares do planeta, tinha também por lá uma megera que nos tomava a bola, por conta do barulho, da bagunça etc.

Aquelas bolas foram todas perdidas no tempo. Mas, não adiantava nada a insistência da senhora, pois logo, apesar das dificuldades, se arranjava outra e mais outra e pronto. Lá estávamos nós novamente a lascar as canelas nos paralelepípedos, pra desespero dela.

Até onde sei, aquele talvez tenha sido o primeiro ato de resistência que participei na vida. Naqueles tenebrosos anos 70, na cidade de Santos – na região conhecida até então como Baixada Vermelha, justiça era algo que não se costumava praticar. E, portanto, cresci – eu e meus companheiros, acredito – com a atitude daquela senhora entalada na garganta.

Para nossa surpresa, leio em um jornal do Maranhão uma pequena reportagem nesta sexta-feira (10), que rapidamente se espalhou feito fogo no querosene Brasil afora. Cinquenta anos depois, a mesma situação, com uma outra megera, se repete, exatamente da mesma forma, lá no Norte do Brasil, na cidade de Presidente Dutra (MA).

Os meninos de lá, no entanto, tomaram uma atitude que jamais sonharíamos naqueles anos ferozes. Foram até a delegacia e prestaram queixa da mulher que lhes surrupiou a bola. “Ontem, por volta das 16h, esses garotos chegaram aqui na delegacia pedindo para falar comigo. Como eram cinco crianças, eu achei estranho e pedi para que entrassem. Eles vieram reclamar da vizinha que havia pegado a bola deles após uma bolada no portão. É uma situação simples, mas inusitada pela forma como eles encontraram para resolver”, conta o policial.

Os meninos contaram a ele que a bola era “velha e murcha”. O delegado e os policias, comovidos com a história, todos eles provavelmente peladeiros em suas épocas, fizeram uma vaquinha e compraram outra bolsa pros garotos.

O caso não ficou só por isso. O bom delegado avisou que caso a mulher “pegue novamente a bola dos garotos, ela pode responder por apropriação indébita ou furto”.

No final das contas, a página da Polícia Civil local publicou uma foto do delegado ao lado dos garotos. A publicação viralizou e já conta com milhares de reações e centenas de comentários.

Uma internauta comentou: “quando as crianças entenderem, sentirem que a polícia deve ser amiga e não inimiga, teremos mais chances de mudar as coisas também”.

 


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