domingo, 25 out 2020
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Tetê Espíndola pede socorro ao Pantanal em clipe onde artistas regravam Itamar Assumpção

A canção “Adeus Pantanal”, de 1988, ganha novo arranjo com a participação de vários artistas da nossa música, entre eles Chico César, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes, Arrigo Barnabé, Jane Duboc, Rolando Boldrin, Suzana Salles, Vânia Bastos, Zeca Baleiro

Quando Itamar Assumpção gravou a sua canção “Adeus Pantanal”, no primeiro e único álbum seu feito por uma gravadora, “Intercontinental – Quem Diria”, em 1988, não poderia imaginar o quão dramático o seu lindo apelo se tornaria, mais de 30 anos depois.

Na época, a gravação contou com as participações de Tetê Espíndola e Alzira E, duas dos principais expoentes da música da região. Desta vez, as irmãs voltam com o apelo multiplicado pela devastação que sofre o bioma com as queimadas, em um clipe com 32 artistas consagrados da nossa música.

Estão na gravação Chico César, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes, Arrigo Barnabé, Jane Duboc, Rolando Boldrin, Suzana Salles, Vânia Bastos, Zeca Baleiro entre vários outros artistas.

É difícil, muito difícil ver e ouvir o clipe sem um travo na garganta e lágrimas nos olhos. O mesmo parece transparecer dos cantores e instrumentistas que se apresentam, em um misterioso branco e preto, todos de óculos escuros, com a simbologia do que não pôde ser visto:

Eu fui à Corumbá pra no Pantanal olhar a bicharada
Eu fui pra ver, não vi, que decepção senti
Vi quase nada

Eu não vi lambari, nem pintado nem mandi, a peixarada
Paca também não vi, pacu, índia guarani
Vi quase nada

Tetê conta como foi a ideia para o clipe: “eu tive um sonho recente, foi como uma premonição, eu era uma nuvem e fui até o Pantanal levar a chuva, foi incrível salvar os bichos e desde então os ´Pássaros da minha garganta´ resolveram se manifestar. Chamei alguns amigos para juntos ecoarmos um novo e uníssono grito de alerta”.

O clipe, lançado nas redes na última segunda-feira (28), horas depois já havia alcançado milhares de visualizações. Feito em parceria com o produtor e músico Carlos Navas, o vídeo tem o estilo a que nos acostumamos nas lives realizadas durante a pandemia. A opção pelo preto e branco, a elegância dos fios separando as imagens, somada à absoluta concentração e emoção dos participantes, eleva a emoção contida na canção a um grito de guerra.

Vale ressaltar a produção de Arnaldo Black. O arranjo é do percussionista e compositor Caito Marcondes e conta com a participação dos músicos Sandro Moreno e Bianca Bacha.

“Além de homenagear Itamar, que foi um visionário, nossa intenção é fazer um alerta de conscientização para essa situação lastimável que o nosso Pantanal vem sofrendo com o fogo e o descaso institucional”, explica Tetê.

Do grito de dor dos animais e das florestas da linda região do Pantanal, reascende o grito do homem, do artista. Um apelo inestimável, imprescindível e de emergência absoluta para o homem e o seu lugar no planeta.

Veja o clipe abaixo:

Julinho Bittencourt
Julinho Bittencourt
Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.