Julinho Bittencourt

20 de março de 2020, 09h47

Uma história de altruísmo e resistência em meio ao caos em Porto Alegre

Ederson Lopes, proprietário da Livraria Taverna, no Centro Histórico da capital gaúcha, conta como, em meio ao coronavírus e ao governo Bolsonaro, recebeu uma solidariedade inesperada

Ederson Lopes. Foto: Facebook

Ederson Lopes é proprietário de um comércio de rua, a Livraria Taverna, no Centro Histórico de Porto Alegre. Ele, assim como milhares de outros pequenos comerciantes pelo Brasil e mundo afora, estão sofrendo com a crise do coronavírus. Nesta quinta-feira (19), Ederson avisou pela sua conta do Facebook que as atividades da livraria seriam interrompidas, seguindo recomendações das autoridades de saúde.

Mas foi assim mesmo, conforme diz o ditado, no mais completo da escuridão, que apareceu um pontinho de luz na vida de Ederson e da sua livraria. Segundo ele conta, na última terça-feira, recebeu um telefonema de uma vizinha perguntando quanto era o seu aluguel. “Achei aquela pergunta meio estranha e invasiva, mas acabei falando o valor (que não é baixo). Foi então que ela disse: ‘Me envia a conta bancária da livraria que eu vou pagar pra vocês’”.

Perplexo e com o aluguel atrasado desde o dia 5, respondeu que não sabia quando poderia pagar de volta. A voz amiga do outro lado da linha o interrompeu, dizendo: “É um presente, não quero nada em troca. Pra mim é muito importante a presença de vocês aqui na rua”.

Ederson afirmou ter ficado “muito emocionado, meio nervoso, meio incrédulo, não sei”. Para ele, “isso dá uma esperança, sabe? Uma sensação de que apesar dos coronavírus e dos bolsonaros, vale à pena a gente seguir em frente”.

O livreiro ressalta ainda que “muitos comércios correm o risco de fechar, já vinham mal e agora tem tudo pra ruir. Quem trabalha com livros sabe das dificuldades e peculiaridades do setor. Já passamos por outros momentos difíceis e muitos amigos lotaram a livraria e nos ajudaram a vencer os problemas”, exalta.

Ele lembra que não sabe como será daqui pra frente, pois as contas não param de chegar. “Apesar disso, vou dormir com um sentimento de gratidão, mas também de dívida. E com a certeza de que vou poder devolver esse altruísmo generoso, ajudando outras pessoas também, pois é nisso que eu sempre acreditei: na generosidade e na empatia”.

Veja abaixo a postagem de Ederson com a história completa:

Recebi um telefonema hoje que me deixou estático, sem reação. Era uma vizinha e cliente aqui da livraria, ela queria…

Publicado por Ederson Lopes em Terça-feira, 17 de março de 2020

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