Julinho Bittencourt

03 de março de 2020, 15h10

Vovôs do rock e do pop pedem água sem ter quem os substitua

Madonna chora de dor durante um show. Elton John perde a voz e abandona concerto. Rolling Stones e McCartney caminham para os 80. Quem tem para o lugar deles?

Foto: Divulgação

A cantora Madonna chorou de dor durante apresentação no final de fevereiro, em Paris. Ela está em turnê de divulgação do álbum “Madame X”, lançado no último ano e tem enfrentado dificuldades para cumprir com a agenda de shows, com cancelamentos e atrasos.

“Eu estou com muita dor”, disse a artista. “Mas eu que escolhi isso e vou terminar a porra dessa turnê, custe o que custar.” Depois disso, a cantora ainda brincou: “Eu posso ter chorado como um bebê no palco mas eu ainda poderia chutar o traseiro de cada um de vocês”, brincou.

No mesmo mês, mas em outro continente, o cantor inglês Elton John começou a chorar e abandonou uma apresentação durante show em Auckland (Nova Zelândia), depois de perder a voz.

Elton, que recentemente recebeu o Oscar de melhor música original pelo filme “Rocketman”, sua cinebiografia, precisou da ajuda de sua produção para sair do palco.

Estes fatos, ligados pela cultura pop, nos trazem dois mantos sagrados da música mundial com um mesmo e tenebroso problema que aflige a humanidade desde que o mundo é mundo: o envelhecimento.

Madonna, que está inteirona para os seus 61 anos, sabe-se lá a custo de quanto sacrifício físico, dança, salta e canta – tudo ao mesmo tempo – como se ainda fosse uma garotinha. Elton, um senhor de 72 anos, viu ao longo dos anos a sua linda voz de tenor se transformar em uma sombra da que já foi um dia.

O mesmo fenômeno se repete em todas as partes do planeta. A cultura pop é coisa de jovens que, com o passar do tempo, fazem de tudo e mais um pouco para permanecer no jogo. Jovens senhores com suas cabeleiras pintadas e magreza de adolescente, enfrentam a natureza e a saúde para permanecer engordando apenas suas contas bancárias e, sobretudo, mantendo o esquema milionário que os faz rodar o mundo.

Diga-se, sem cometer injustiça, mantendo o emprego de centenas, por vezes milhares de pessoas.

A descrição acima com certeza trouxe ao leitor a memória de diversos artistas, como por exemplo, os Rolling Stones, com suas piruetas atléticas e performances indescritivelmente jovens. Outros tantos, como Paul McCartney, que também aguenta mais de três horas de show, cantando nos mesmos tons de quando ainda era beatle, apesar dos seus 77 anos.

De tudo isso, ficam algumas perguntas: Não temos novos McCartneys, Madonnas, Stones e Eltons? Ou, pior ainda, temos, mas quem é rei nunca admite perder a própria majestade? Se você, caro leitor, tivesse a oportunidade de passar várias noites por ano com multidões gritando que você e suas canções são o máximo, abandonaria tudo para cuidar dos netos?

Da minha parte, acho que há um pouco de todas essas coisas. De qualquer maneira, durmo todas as noites sonhando que apareça algo equivalente aos Beatles e Rolling Stones. Pode até ser uma Madonna ou outro Elton John.

E que, assim, nossos vovozinhos queridos possam, finalmente, colocar o pijama e viver dos louros do passado.


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