Ministério da Educação mantém Enem em meio à pandemia do coronavírus

Aceitar que o Enem aconteça de qualquer forma, contra tudo e contra todos, é dizer sim à reelitização da universidade

O MEC decidiu manter o exame do ENEM, mesmo em meio à pandemia do coronavírus.

Numa propaganda tosca, mostra jovens em seus lindos quartos, todos com computador e celular, clamando o slogan da campanha: ESTUDE.

Parece que o governo ignora que milhares de jovens, se não milhões, não possuem quarto, vivem em habitações multifamiliares, dividindo num mesmo cômodo a habitação para a família.

Parece que o governo ignora que muitos jovens têm na escola sua única refeição.

Então parece que a decisão por manter o exame do ENEM é apenas alienação, mas não.

Esse é um plano de exclusão da juventude periférica das universidades.

Aceitar que o ENEM aconteça de qualquer forma, contra tudo e contra todos, é dizer sim à reelitização da universidade.

Mas também é arriscar a saúde mental de nossos jovens, já combalida pelos tempos difíceis que estamos vivendo. Professores me confidenciaram que seus alunos entraram em desespero ao saber da manutenção da prova, já que estão com muitas dificuldades de simplesmente cumprir suas tarefas diárias, em meio ao isolamento, alijados de sua rotina e vivendo dificuldades que estão se mostrando enormes até para quem é adulto.

O ENEM é o primeiro desafio dessa fase tão difícil da vida, que marca o ingresso para a universidade. A carga sobre esses jovens já é naturalmente enorme, em condições normais. Imagine nesse cenário de guerra que estamos vivendo.

Queremos arriscar a saúde mental desse jovens e correr o risco de ver aumentar os números de suicídio entre adolescentes, já tão elevados?

A prova do ENEM deve ser adiada. E não adiá-la é irresponsabilidade, mas também mais uma perversidade desse governo.

Trecho do programa Quarentena, com Liana Cirne, Elika Takimoto, Dayane Santos e Maria Goretti Nagime.

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Liana Cirne Lins

Advogada. Doutora em Direito Público, mestra em Instituições Jurídico-Políticas e professora da Faculdade de Direito da UFPE. Mãe e feminista. É colunista da Revista Fórum.

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