Colunistas

31 de março de 2018, 12h59

Luta de classes se acirra: entre o fechamento do regime e a derrota do golpe

A característica fundamental dessa nova modalidade golpista é a manutenção das aparências de um regime democrático

Julian Rodrigues*

O sofisticado golpe de 2016 – que trocou os tanques pelo parlamento, judiciário e mídia – tem um programa radical de desmonte dos direitos sociais e entrega das riquezas nacionais ao grande capital estrangeiro.

Ao mesmo tempo, a característica fundamental dessa nova modalidade golpista é a manutenção das aparências de um regime democrático. Ou seja, um regime que preserve as eleições e um mínimo de liberdades e direitos civis.

Só que o programa do golpe não tem nenhum apoio popular.  A reprovação recorde de Temer e do Congresso levou ao recuo do governo na questão da reforma da Previdência e às ridículas intenções de voto dos candidatos “de centro” – que perderiam para Lula no primeiro turno. Evidência de um paradoxo.

Como implementar o conjunto das medidas neoliberais sem abrir mão das formalidades de um regime democrático? A primeira medida para contornar esse obstáculo foi criar as condições para impedir que Lula seja candidato. Assim poderiam manter a forma (eleições), esvaziando o conteúdo do processo (bloqueando a vitória do campo popular).

Por outro lado, as táticas adotadas pela mídia e pela coalizão golpista levaram a um crescimento inédito do fascismo – que chega a alcançar 20% nas pesquisas – e cada vez mais se sentem à vontade para migrar das redes sociais às ruas.

Há um clima crescente de instabilidade e de divisão entre as elites. Alckmin não decola. Temer se apresenta como candidato enquanto o dono da Riachuelo se junta ao fundamentalismo religioso e ao MBL para entrar na corrida presidencial.

A comoção com a morte de Marielle acendeu uma faísca. O golpe piscou pela primeira vez quando o STF adiou a prisão de Lula. Ao mesmo tempo, a Caravana petista no sul, ao enfrentar  a reação fascista – seguida da resistência altiva de Lula ao atentado à bala atingem em cheio às massas populares.

A unidade da esquerda é a resposta certa imediata ao avanço fascista. Lula, Manuela e Boulos no ato de Curitiba não é pouca coisa.

Pela primeira vez, está dada a possibilidade de derrotarmos parcialmente o golpe. Se o STF conceder o Habeas Corpus à Lula teremos uma vitória de grandes proporções.

Enquanto isso, o golpismo já especula outras possibilidades. O desqualificado “jornalista” Ricardo Noblat soltou uma nota afirmando que auxiliares próximos de Temer duvidam que haverá eleições por conta da “tensão política”.

Sim, é um balão de ensaio. Mas a prisão dos aliados mais próximos de Temer (ordenada por Barroso) contou com grande repercussão da Globo.  Voltam as contradições agudas nas hostes golpistas – há certa confusão.

Uma fresta

A radicalização da luta de classes nos abre possibilidades maiores de incidir na consciência popular, construindo mobilizações, atos –  resistência de massas ao golpe neoliberal.

Os próximos dias serão decisivos. Se tivermos força, podemos garantir #LulaLivre. E depois #LulaPresidente.

MAS, eles também podem optar pelo fechamento do regime, adiando as eleições – se avaliarem que há espaço para essa manobra. O pretexto seria a “instabilidade” do país.  Intervenção militar no Rio foi um ensaio. A chapa Temer-Meirelles é outra insinuação de continuidade golpista.

Derrotar o golpe

A conjuntura abriu uma janela. Não há espaço para ilusões “democráticas”.  E também não cabe nenhum pessimismo. A luta de classes está aberta, quente, polarizada.

Derrotar o golpe passa por garantir a candidatura Lula – o que só será feito com amplas mobilizações populares e com a unidade da esquerda e do campo progressista.

Sem nenhuma expectativa no STF, mas sem baixo-astral. Quanto mais gente na rua, quanto mais debate nas redes, mais podemos avançar contra as forças reacionárias.

Sigamos o exemplo de Lula: sem medo de enfrentar os fascistas. As caravanas somos nós, por todo o Brasil.

*Professor e jornalista, ativista LGBT e de Direitos Humanos, é militante do PT-SP

 


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