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23 de novembro de 2018, 14h15

Marcelo Hailer: A Rede pela Democracia lançada na PUC-SP

Duas questões ganharam destaque neste primeiro ato da Rede Pela Democracia: ameaças à liberdade cátedra por meio dos discursos de “combate” à “ideologia de gênero” e “doutrinação marxista” – ambas inexistentes em qualquer nível da educação nacional - e a ampliação da militarização do Estado e as possíveis consequências destas duas políticas que se anunciam pelos próximos anos.

Divulgação

Aconteceu nesta quarta-feira (21), na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o lançamento/ ponto de partida da Rede Pela Democracia, que tem por objetivo se constituir enquanto um observatório pela liberdade de expressão e de cátedra, e que congrega, até este momento as faculdades de História, Direito e Ciências Sociais da PUC, representantes do movimento LGBT, Pastoral da Terra, alguns núcleos de pesquisa entre outros. A ideia é que este canal se amplie ainda mais e esteja em contato direito com outras universidades, dentro e fora do Brasil.

O ato contou com a participação da Reitora da PUC-SP, Profa. Maria Amália Pie Adib Andery, um representante da Fundação São Paulo, a professora Carla Cristina Garcia representando o Inanna (NIP-PUC-SP), a professora Marijane Lisboa (PUC-SP), o professor James Green, da Brown University e organizador do Observatório Internacional em Defesa da Democracia no Brasil, o Procurador Federal dos Direitos do Cidadão Adjunto Marlon Weichert entre outras pessoas representando cursos e núcleos de pesquisa e movimentos sociais.

Duas questões ganharam destaque neste primeiro ato da Rede Pela Democracia: ameaças à liberdade cátedra por meio dos discursos de “combate” à “ideologia de gênero” e “doutrinação marxista” – ambas inexistentes em qualquer nível da educação nacional – e a ampliação da militarização do Estado e as possíveis consequências destas duas políticas que se anunciam pelos próximos anos.

Neste cenário de obscurantismo e coerção à liberdade de pensamento nas escolas e universidades públicas, a PUC-SP, por ser uma Universidade Pontifícia, encontra-se em boa medida mais protegida contra a censura.

Durante a Ditadura Militar a comunidade da PUC-SP formada por seus estudantes, funcionários, professores, clérigos e Reitoria cumpriu um papel determinante da luta pela volta da democracia. Hoje mais uma vez seu protagonismo se faz necessário na defesa da liberdade de pensamento e do estado de direito.

Um passo necessário é a abertura da discussão sobre a possibilidade de criação na PUC-SP de um Observatório em Defesa da Liberdade de Pensamento e do Estado de Direito.

O Estado e a violência de gênero
Como primeira atividade da Rede Pela Democracia, aconteceu nesta quinta-feira (22) o debate “Nos Queremos Vivas – Violência de Gênero e o Estado Brasileiro”, organizado pelo Inanna – Núcleo de Pesquisa sobre Feminismos, Mulheres, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP), que também é um dos propositores do observatório. A mesa foi composta pelas professoras e pesquisadoras Carla Cristina Garcia, Sulamita Assunção e Marcelo Hailer Sanchez.

O debate teve como foco central as estratégias possíveis entre o espaço universitário e o seu diálogo com as ruas – movimentos sociais, juventude e políticas públicas – e de que maneira, diante do extremo conservadorismo que se anuncia, o espaço universitário pode ser um lugar de resistência e que produza e espalhe saberes que sirvam para nortear ações e também reflexões sobre o momento vindouro.

Neste sentido, a pesquisadora Carla Cristina Garcia apresentou o programa de estudos do Inanna que vai percorrer os vários tipos de violências contra as mulheres e LGBT. Além das discussões acadêmicas, o núcleo de pesquisa também vai oferecer oficinas de autodefesa feminista; outra questão é de que maneira ocupar as novas ferramentas comunicacionais para ampliar o contato com os mais jovens, dentro e fora do estado paulista. Por fim, ficou estabelecido a construção de uma agenda a ser construída conjuntamente com coletivos – acadêmicos ou não – para se organizar ações fora do espaço universitário, mas também promover o inverso, trazer o conhecimento dos coletivos políticos/ movimentos sociais para dento da universidade.

É desta maneira que, tanto o Inanna como os outros núcleos da PUC-SP, pretendem criar uma grande rede de apoio e de luta constante em defesa da democracia, liberdade de expressão e de cátedra. Para aqueles que desejarem se somar ao trabalho de construção da Rede Pela Democracia, basta procurar o Inanna nas redes e entrar em contato pelo email inanna.educacao@gmail.com.


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