Monica Benicio

08 de março de 2019, 06h00

8M: Paralisação internacional das mulheres – pela vida de todas, resistiremos

Para marcar a data, Monica Benicio, em texto para a Fórum, diz: “Nenhum passo atrás será dado, nenhuma voz será interrompida e nenhuma mulher será deixada”

Foto: Reprodução/Facebook Monica Benicio

Mais de 200 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em três meses incompletos neste ano. Quem são essas mulheres? São lésbicas ou bissexuais? Negras, indígenas ou brancas? Do campo? Transexuais ou travestis? Que idade elas tinham? Essas e outras perguntas não sabemos responder, pois os dados oficiais dos governos pouco caracterizam os corpos das mulheres que são vitimados pela violência do machismo e do patriarcado a cada minuto no Brasil. O que sabemos é que somos vítimas pela mesma transversalidade: o ódio ao nosso gênero, mulher.

O que nos diferencia e acentua as formas que as violências se configuram a nós são as nossas identidades enquanto ser mulher. Quanto mais fora dos padrões estabelecidos, cisheteronormativa-branca-classista, mais somos alvos dos algozes que não nos querem livres. Para eles, somos propriedades e servimos ao seu mero prazer de procriar e servir. Nós estamos rompendo com essa lógica de subordinação e nos colocando cada vez mais para enfrentar os modelos que nos acorrentam. Hoje, quebrar o silêncio das violências é garantir que todas nós possamos ser libertas. E nós mulheres temos que saber inclusive reconhecer que ser livres é reconhecer as nossas diferenças, sem hierarquização de opressão e que facilmente cometemos a reprodução daquilo que combatemos e tememos, as violências.

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Somos avós, mães e filhas dessa terra e nós resistimos e resistiremos diante de um governo com fortes características fascistas, em tempos que as políticas para as mulheres negras, indígenas, ciganas, LBTs, faveladas, com deficiências, jovens, idosas e camponesas estão cada vez mais marginalizadas. Nós resistimos e resistiremos contra as reformas trabalhistas e previdenciárias, contra os retrocessos ao direito e autodeterminação dos nossos corpos, contra os racismos, o encarceramento, as LBTfobias, as violências sexuais, físicas, simbólicas e patrimoniais. Nós resistiremos e resistimos até que todas sejamos livres.

Ocupamos as ruas no 8 de Março por Marielle, Maria Eduarda, Luana, Ingrid, Dandara, Jessika, Claudia e todas aquelas que tombaram e por todas que seguem em vida. Nenhum passo atrás será dado, nenhuma voz será interrompida e nenhuma mulher será deixada. Companheiras, é a nossa vez de contar a história. É a nossa vez de mudar os rumos da política para que as nossas vidas e das que virão sejam pautadas no amor, no afeto, na liberdade e na equidade. O levante é nosso!

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