Monica Benicio

27 de julho de 2019, 10h41

Monica Benício: 500 dias sem Marielle Franco e nenhum minuto de silêncio

Neste sábado (27) Marielle completaria 40 anos: “A luta dela é minha - e que seja a de vocês, em cada espaço ocupado, em tudo que for possível fazer e realizar, em cada organização e enfrentamento, porque nós não seremos interrompidas”

Foto: PSOL

Já são 500 dias desde o assassinato político da vereadora Marielle Franco, minha companheira. Tenho contabilizado, publicamente, cada dia sem respostas e sem justiça para esta barbárie e dedicado minha vida à construção do mundo pelo qual ela sempre trabalhou: um mundo de justiça social, antirracista, com equidade de gênero e respeito às vidas LGBTIs e aos direitos humanos, um mundo sem muros onde nenhuma pessoa seja ilegal.

Quando as forças criminosas, que hoje ameaçam a democracia brasileira, dirigiram sua violência injustificável contra Marielle, gostariam de espalhar medo e incitar nosso recuo. Porém, não poderiam contar com o tamanho de nossa coragem e de tudo que ela significa.

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A lembrança de sua luta e sua vida nesse dia, que seria seu aniversário de 40 anos, é um sinal de que seguiremos espalhando pelo mundo o seu nome como sinônimo de força e beleza, como o chamado para a resistência contra as forças da brutalidade e do ódio que hoje elegem o presidente no Brasil.

Escrevo no plural porque tenho certeza de que esta é uma construção coletiva, feita por muitos braços e corações, que têm me ajudado a seguir diante de tamanha violência e fortalecido uma rede global de solidariedade e ação.

Para além disso, é importante lembrar que se hoje são também minhas as palavras que acolhem e ampliam essa luta, é porque meu encontro de vida com Marielle teve de ser reconhecido, a contragosto das vozes que insistem em negar e apagar um amor entre mulheres como o nosso, confrontado com muitos obstáculos para ser plenamente.

Por isso, destaco que falar enquanto mulher lésbica e esposa de Marielle é falar também pela afirmação do amor entre mulheres, como motor da mudança e grito por nosso direito de ser e amar.

É por esse amor que jamais deixarei que seu nome seja esquecido. Por ele que meus punhos se erguem em luta e convite a todas e todos para que se engajem na construção de outro horizonte, mais justo e feliz – onde caibam nossos sonhos e nossos afetos, onde caibam o futuro e a esperança, onde caibam todos os amores e onde todas as vidas importem.

A luta de Marielle hoje é também a minha – e que seja a de vocês, em cada espaço ocupado, em tudo que for possível fazer e realizar, em cada organização e enfrentamento, porque nós não seremos interrompidas, e como nos ensina Conceição Evaristo: “Se eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer”.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.


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