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07 de março de 2019, 14h46

O Carnaval da Mangueira e o de Bolsonaro: dois Brasis! Por Juca Ferreira

Ao tentar desqualificar o carnaval, Bolsonaro rasgou a própria fantasia. Mostrou que não tem cancha, grandeza, nem maestria para ser o presidente da República. Na quarta-feira, do mito só restavam as cinzas

Foto: Reprodução TV Globo

Por Juca Ferreira*

O carnaval deste ano mostrou no sambódromo do Rio e nas ruas e avenidas de todo o país o enredo que divide o Brasil.

De um lado, o país fake de Bolsonaro, malicioso, culpado, sem grandeza, em seu compasso triste, cheio de desprezo pelo povo e pela nossa maneira de ser; com sua linguagem agressiva e sua coreografia marcada por gestos cada vez mais repugnantes.

De outro lado, o Brasil da Mangueira, das escolas de samba e dos foliões nos quatro cantos do país: irradiando alegria de viver, liberdade, brilho e beleza. E, ao mesmo tempo e sem perder o passo, crítico, consciente, disposto a ir à luta.

Mangueira brilhou dando seu recado verdadeiro, corajoso, sintonizado com o país e com o povo brasileiro; alegre, consciente de sua história, crítico às mazelas sociais, generoso, amável com seu povo, apontando para o futuro.

Parodiando o lírico e emocionante samba-enredo da verde e rosa, o Brasil de Bolsonaro é o “avesso do mesmo lugar”, meu nego.

O Brasil real, popular, diverso, que soltou a voz nesse carnaval, não cabe no projeto regressivo, injusto e extremamente reacionário que Bolsonaro e seu governo representam. O Brasil é maior, bem maior.

O Brasil quer se afirmar como uma grande nação. O povo quer ser feliz. Queremos enfrentar as injustiças, desigualdades e opressões. Temos um futuro pela frente.

Bolsonaro quer nos anular. Baixar o astral. Nos culpabilizar. Bolsonaro e seu governo querem, a qualquer custo, fazer a roda da história girar para trás.

O vídeo que Bolsonaro postou na terça-feira de carnaval não é apenas sintoma de ignorância e desequilíbrio. É a prova da farsa desse governo que se elegeu prometendo civismo, mas só entrega cinismo, destruição e desrespeito.

O Brasil, estarrecido, acordou sabendo que obsceno é ele. Obsceno é o ataque aos direitos sociais, à liberdade e à nossa alegria de viver. Obscena é a fixação perversa e o desejo de reprimir o sexo alheio.

Obsceno é o racismo, a misoginia e a homofobia manifestados por ele em várias ocasiões.

Ao tentar desqualificar o carnaval, Bolsonaro rasgou a própria fantasia. Mostrou que não tem cancha, grandeza, nem maestria para ser o presidente da República. Na quarta-feira, do mito só restavam as cinzas.

Acabou a farra. Esse é um governo inviável. Ninguém mais respeita.

Resta a Bolsonaro viver sua Quaresma, longe da vida pública, expiando seus pecados em outra freguesia.

O Brasil fica com a alegria e a beleza do Carnaval e com o enredo da Mangueira.

“Na luta é que a gente se encontra”, diz o samba. E eu acrescento que é na celebração e na alegria que a gente se compromete com o futuro que queremos.

Certamente, esse ano não vai ser igual àquele que passou.

“Chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”.

Viva a Mangueira!
Viva o Povo brasileiro!

* Sociólogo, foi ministro da Cultura e é secretário de Cultura de Belo Horizonte


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