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02 de junho de 2018, 14h11

O retorno do Cordel

Assistir novamente a um show do Cordel do Fogo Encantado é uma emoção sem tamanho. Um alento, em um contexto de dureza, a força do Cordel nos enche de esperança, de alegria e força para continuar na luta.

(Foto: Jonas Tucci/Divulgação)

Difícil descrever a emoção, a satisfação o entusiasmo de assistir novamente a um show do Cordel do Fogo Encantado, em sua primeira apresentação em São Paulo, após o seu retorno, com o novo disco “Viagem ao coração do Sol”.

Como muito bem descreveu o percussionista Emerson Calado, em um papo informal, o “Cordel traz a força da ancestralidade indígena, negra, do semi-árido”, tudo isso com muita personalidade e autenticidade.

Quando eu vi que os primeiros shows do Cordel em São Paulo seriam em um Teatro fiquei imaginando como seria isso, tendo em vista que uma das características das apresentações da banda sempre foi o público pulando e dançando freneticamente. Minha dúvida não durou 1 minuto, bastou anunciar o início que a plateia desceu para frente do palco e ficou de pé para curtir as duas horas de espetáculo.

O show trouxe as novas canções intercaladas com as músicas e poesias que marcaram a trajetória do Cordel. O mais incrível da apresentação é a politização através da força poética, o ponto alto foi na música “A Matadeira” que conta a história das metralhadoras compradas pelo Estado brasileiro para destruir Canudos, onde Lirinha parou a banda para dizer de forma profética “nós não beberemos a água do esquecimento”, fazendo uma alusão ao debate sobre a intervenção militar.

Também rolou homenagem à Marielle Franco através da música “Conceição”, do novo disco, celebração aos povos indígenas através da música “Antes dos Mouros”, sem contar a força dos tambores que nos traz a ancestralidade africana e afro-brasileira.

Conheci o Cordel em 2004, quando fazia cursinho pré-vestibular e tive a oportunidade de ouvir pela primeira vez o disco, quando assisti ao primeiro show foi muito impactante, marcando profundamente o início da minha  juventude, depois curti uma bateria de shows, na época a rede social era o boca-a-boca, e essa era a força que lotava as apresentações, os discos você comprava na banquinha no final.

Em 2013, através do meu amigo Gaspar do Z’África Brasil, tive a oportunidade de conhecer o Lirinha, onde o convidamos para participar do Sarau Palmarino em Embu das Artes, ali estava o início de uma grande amizade com muita troca, cumplicidade, reflexões sobre os vários aspectos de nossa sociedade.

Passado esses anos assistir novamente a um show do Cordel do Fogo Encantado é uma emoção sem tamanho. Como me disse Clayton Barros,  em um momento de recrudescimento, de avanço das ideias conservadoras é importante trazer a força da poesia. Um alento, em um contexto de dureza, a força do Cordel nos enche de esperança, de alegria e força para continuar na luta.

Confira a agenda da turnê do Cordel do Fogo Encantado aqui.


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